Rússia bloqueia IP’s de Google e Amazon em luta contra Telegram

Em resposta, fundador do Telegram, Pavel Durov anunciou oferta de dinheiro a iniciativas de criação ou manutenção de proxies ou VPN's.

A oposição entre as políticas da aplicação de mensagens Telegram e as medidas restritivas do Governo russo já é conhecida há muito. Na semana passada, o Tribunal emitiu a deliberação final e esta semana o bloqueio desta aplicação, conhecida pela sua tecnologia em prol da privacidade, tornou-se efectivo num processo tudo menos simples ou pacífico.

O acesso Telegram foi bloqueado pela agência que regula as telecomunicações russas, a Roskomnadzor, que exigiu igualmente a retirada das aplicações da Play Store e App Store. Contudo, a comunidade de utilizadores – também eles conhecidos pela sua apetência tecnológica – não desistiu assim tão facilmente, recorrendo a VPN’s para contornar a proibição.

Também do lado do Telegram havia um trunfo na manga. A empresa liderada por Pavel Durov mudou os seus endereços para as os serviços da Amazon e da Google numa tentativa de dispersar os IP’s associados à aplicação mas a estratégia parece não ter durado muito tempo.

Se durante a tarde de ontem alguns utilizadores elogiavam a estratégia posta em prática – ao migrar os seus serviços para as nuvens destas grandes empresas, o Telegram fica associado a muito mais IP’s tornando-se mais difícil de bloquear –, no início desta terça-feira surgiram as notícias de que o Governo não estará disposto a travar nesta luta.

Segundo reporta a Reuters, as multinacionais norte-americanas já foram avisadas que muitos dos seus IP’s estão a ser bloqueados no seguimento do bloqueio ao Telegram. O caso tem especial importância, uma vez que associados aos IP’s de Google e Amazon estão inúmeros outros domínios e serviços web de acesso habitual por parte dos utilizadores russos.

Pavel Durov, em resposta, criou a Resistência Digital

Para contrariar o ímpeto do Governo russo e dar mais força às alternativas, num extenso comunicado publicado no seu canal de Telegram, Pavel Durov anunciou que ia oferecer dinheiro (em forma de Bitcoin) a empresas responsáveis por manter proxies e VPN’s, que possam permitir aos internautas russos continuar a aplicação de mensagens.

Na mesma mensagem, Durov faz um ponto da situação, revelando que o público russo perfaz 7% dos utilizadores da plataforma e que, do ponto de vista comercial, o bloqueio na Rússia não seria grave, mas que esta luta é pessoal e que fará tudo o que puder pelos utilizadores da sua terra natal.

Durov termina a sua mensagem com um sticker exclusivo da aplicação Telegram