Spectrum: uma alternativa ao Slack e aos grupos de Facebook

Apesar de existir uma versão paga, as funcionalidades mais importantes são gratuitas e o software está também disponível em código aberto.

Os Cambridge Analytica Files puseram-nos a repensar na informação que damos ao Facebook e a estudar alternativas à gigante plataforma que Mark Zuckerberg começou a construir em 2004 e que, hoje, é tão abrangente em utilidade que acabamos por fazer tudo e mais alguma coisa nela. O Spectrum é uma dessas alternativas e vale a pena espreitar.

Apresentado em Outubro de 2017, o Spectrum ainda tem poucos meses de vida. Os seus pais são um grupo de bons amigos – Max Stoiber, Brian Lovin e Bryn Jackson. Max, o mentor da ideia, é um programador que se tem dedicado a projectos de código aberto e que, desta vez, decidiu fazer um produto comercial, uma empresa. O Spectrum nasceu da vontade da sua vontade e dos seus amigos em repensarem as comunidades online. Dizem que a Internet foi feita para comunidades mas que as tecnologias não evoluíram muito desde o surgimento do IRC e dos messageboards.

“Hoje existem poucas opções de escolha para criar comunidades online. Mais e mais pessoas estão a estabelecer as suas em plataformas como o Slack (e outras parecidas com o IRC: Gitter, Discord, etc), em fóruns alojados por si ou em grupos de Facebook, escreveu Max no seu blogue, apresentando o projecto. Referiu que, por experiência própria, encontrou múltiplas dificuldades em gerir comunidades dessas formas, principalmente quando as discussões juntam centenas e milhares de pessoas:

  1. “Com cinco conversas ao mesmo tempo deixas de conseguir perceber quem está a falar com quem – fica impossível de seguir;
  2. Queres falar sobre um determinado tópico que alguém mencionou cinco horas antes mas a mensagem está agora 15 páginas acima e ninguém sabe do que estás a falar já. Nem vale a pena mencionar tópicos com dias ou semanas!
  3. Isto é amplificado pelo facto de que pesquisar mensagens antigas e direccionar para elas é muitas vezes uma chatice. Muitas vezes conversas valiosas e interessantes ficam perdidas para sempre, ou o conhecimento fica preso na própria ferramenta, não podendo ser encontrado fora dela.”

É nesta óptica que surge o Spectrum, uma plataforma para criar e explorar comunidades construída com base nas experiências pessoais de Max, Brian e Bryn. Todas as discussões no Spectrum correspondem a uma thread, à qual os interessados no assunto se podem juntar e que, se estiverem todos online ao mesmo tempo, pode parecer mais uma janela de chat do que um conjunto de comentários em sequência.

O Spectrum tem várias comunidades e tu podes juntar-te a quantas quiseres, para todas elas tens um único perfil, um modo único de login, uma única janela de notificações e uma única caixa de mensagens.

As conversas que decorrem no Spectrum têm, todas elas, um link para que possam ser partilhadas fora da plataforma e indexadas pelos motores de busca. Por essa via, as pessoas podem juntar-se a uma thread já antiga a qualquer momento e continuar a discussão se assim o entenderem. “Desenhámo-lo com a escabilidade presente, criando ferramentas que permitem crescer e gerir comunidades de forma mais fácil e simples para grupos e negócios”, disse Max.

As funcionalidades básicas do Spectrum são gratuitas; contudo, se desejares ferramentas avançadas de moderação, ter canais privados ou acesso a estatísticas, terás de desembolsar entre 10 a 100 dólares por mês. Apesar de inicialmente não ter sido lançado em código aberto, o Spectrum foi, no início de Abril, disponibilizado dessa forma através do GitHub – todo o código pode agora ser encontrado no GitHub. Podes saber mais sobre o Spectrum no site oficial e ver as comunidades existentes aqui.