Enquanto dormias, a Síria foi bombardeada pelos EUA, Reino Unido e França

O ataque à Síria andava a cozinhar-se há dias. A retaliação concertada entre as forças aliadas pretende punir Bashar al-Assad. A Rússia avisa que vai haver consequências.

O bombardeamento da madrugada deste sábado na Síria durou apenas uma hora e visou três alvos precisos, segundo o Pentágono e o ministério da Defesa britânico. A justificação dos Estados Unidos, Reino Unido e França para a acção militar conjunta é o alegado ataque químico de Douma, que deixou pelo menos 75 mortos e fez mais de 500 feridos.

Depois de dias de trocas de telefonemas, ameaças no Twitter e muita especulação, concretizou-se assim o bombardeamento que pode ser o início de uma nova guerra mundial. A retaliação concertada entre as forças aliadas pretende punir Bashar al-Assad. “Isto não são ações de um homem”, disse Donald Trump, “mas crimes de um monstro”. May fala numa situação de “puro horror” e Macron na “ultrapassagem de uma linha vermelha”.

Donald Trump, Theresa May e Macron em uníssono

Num discurso televisivo feito a partir da Casa Branca, o Presidente norte-americano garantiu que estão a ser usadas “armas de precisão”, com o objetivo de impedir a produção, dispersão e utilização de armas químicas. “Estamos preparados para manter esta resposta até que o regime sírio pare de usar agentes químicos proibidos”, afirmou. E enquanto Donald Trump falava, eram ouvidas explosões em Damasco, segundo um correspondente da France Press no local.

Já depois do discurso de Trump, Theresa May comunicou aquela que foi a sua primeira decisão como Primeira-ministra a envolver a acção das forças armadas britânicas. May argumentou que todos canais diplomáticos foram utilizados, sem sucesso. “Ainda esta semana os russos vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que teria estabelecido uma investigação independente ao ataque de Douma”.

“Isto não é uma intervenção na guerra civil”, clarificou, “não é sobre uma mudança de regime. É sobre um ataque direcionado e limitado que não fará escalar as tensões na região e que fará tudo o possível para evitar vítimas civis”.

Também por escrito, Macron confirmou ter ordenado as forças armadas a intervir na Síria. Assinala que o ataque “está circunscrito às operações do regime sírio que permitem a produção e utilização de armas químicas” e explica que o parlamento do seu país será informado da ofensiva e será aberto um debate parlamentar, como estipula a Constituição francesa.

A Rússia não foi avisada previamente do ataque dos aliados. Os russos já reagiram. Anatoly Antonov, o embaixador russo nos EUA, não só se queixou de Moscovo não ter sido avisada, como considerou que “a Rússia está a ser ameaçada”. E deixou mais um aviso: “Nós alertamos que estas ações não deixarão de ter  consequências”.

O que aconteceu ao certo na Síria

Segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido, quatro aviões Tornados da RAF voaram de Chipre e dispararam mísseis Storm Shadow sobre uma antiga base de mísseis na Síria, perto de Homs, onde se acredita que o governo sírio tenha mantido armas químicas. A intenção, segundo o governo britânico, foi “maximizar a destruição dos produtos químicos armazenados e minimizar quaisquer riscos de contaminação para as áreas circundantes”, assegurando que as instalações atingidas estão “a alguma distância” de zonas civis.

A televisão estatal síria diz que 3 civis ficaram feridos na sequência dos bombardeamentos. Mas assegura que 13 mísseis foram interceptados. Em Damasco há manifestações com bandeiras russas. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, acrescenta que várias bases militares também foram atingidas. Incluindo a da Guarda Republicana e a 4ª divisão do exército, segundo o The Guardian.

As reações ao ataque

As reações ao ataque têm chegado de todos os quadrantes, a aliança responsável pelo ataque vangloria-se, parte da imprensa subscreve o ataque ainda que recorde que é ilegal à luz da lei internacional e poucos são os que vão condenando a ofensiva ocidental antes da conclusão da investigação.

Macron surpreendeu com um tweet feito em Árabe a justificar a ofensiva:

Apesar da recusa em participar no ataque, Merkel considera-o “necessário e apropriado”:

Rússia pede reunião de emergência das Nações Unidas para discutir o ataque desta noite:

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, na figura de Augusto Santos Silva, reagiu dizendo que “Portugal compreende as razões e a oportunidade desta intervenção militar”; Marcelo Rebelo de Sousa também revelou compreensão pela ofensiva;

Em Portugal só Bloco de Esquerda e Partido Comunista expressaram a sua condenação.

Comunicado do Partido Comunista Português: http://www.pcp.pt/pcp-condena-bombardeamento-dos-eua-reino-unido-franca-contra-siria

Excerto das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa:
“Memória, orgulho e coragem nos reúnem aqui hoje, Forças Armadas e Portugal, num dia em que Portugal já manifestou pelo seu Governo a compreensão para com a razão e a oportunidade da intervenção de três amigos e aliados, limitada a estruturas de produção e distribuição de armas estritamente proibidas pelo direito internacional e cujo uso é intolerável e condenável”