Para informar, estar informado: um resumo da 1ª edição do Shifter

O facto de termos escolhido como objecto de reflexão um tema que nos é tão caro quanto a informação, matéria prima do nosso trabalho diário, acrescentou à experiência uma dimensão de aprendizagem pessoal e de intercâmbio de conhecimento, que servem a solidificação da cultura e estilo de abordagem Shifter.

A primeira edição do Shifter neste novo formato, em que cada mês dá espaço ao pensamento e criação sobre um determinado tema, chegou ao fim. O conceito escolhido foi o da Informação, sobre o qual desafiámos os nossos colaboradores a explorar as suas áreas de interesse e escrita. O resultado foram 18 artigos sobre o tema e um compêndio de aprendizagem, que nos permitirá atacar os próximos meses de uma forma progressivamente mais ajustada – quer as nossas valências, quer às necessidades e expectativas da nossa comunidade de leitores.

O facto de termos escolhido como objecto de reflexão um tema que nos é tão caro quanto a informação, matéria prima do nosso trabalho diário, acrescentou à experiência uma dimensão de aprendizagem pessoal e de intercâmbio de conhecimento, que servem a solidificação da cultura e estilo de abordagem Shifter.

Começámos a edição num tom amigável, apresentado-te um jogo onde te podes tornar um perito das fake news e construir o teu império baseado em mentiras. A piada, provocadora, antecipava um estudo do MIT que dá conta da dimensão real deste problema.

Notícias falsas espalham-se mais rápido online que as verdadeiras

A conclusão não é propriamente surpreendente se olharmos para as nossas experiências pessoais e para a forma como as notícias se espalham nas redes sociais. Muitas vezes importam mais os headlines que o corpo dos artigos. São esses títulos – cada vez mais criados com afirmações que ou confirmam posições unânimes ou as refutam totalmente – que de modo frequente geram efusivas discussões online (retweets, respostas, partilhas e comentários…).

Depois de evidenciar o problema — ou pelo menos um deles — virámos a atenção para o que podem ser soluções e alternativas: partilhámos publicamente as aplicações que utilizamos para tornar o Shifter possível, divulgámos o crowdfunding promovido pelo jornal Libertário Mapa e mostrámos como a tecnologia pode ser útil ao jornalismo (I) (II), enquanto preparávamos as peças centrais.

Nessas peças procurámos uma abordagem mais cuidada e um incentivo quase subjacente à reflexão sobre o estado das coisas — quer nacional, como internacionalmente, começando pela inspiração:

Portugal tem alternativa: 5 projectos de comunicação social diferentes e independentes

É recorrente lermos e ouvirmos críticas à comunicação social portuguesa – que é sensacionalista, que aposta no clickbait, que propaga desinformação… Mas, mais que criticar, é possível fazermos algo. Podemos criar um novo órgão de comunicação social ou, mais facilmente, apoiar projectos que tentam fazer aquilo que apelidamos de “bom jornalismo”.

Conhece 4 personalidades dos media que criaram projectos com personalidade

No mundo das letras nem sempre as caras conhecidas são as mais influentes ou alcançam um estatuto de popularidade por mérito. Foi com isso em mente e contra a corrente do esquecimento que seleccionámos quatro personalidades de Media internacionais com um passado mas, sobretudo, um presente que vale a pena conhecer.

Houve espaço para reflexões laterais ou mais específicas

Quem são os donos de tanta informação gratuita?

Se nos primórdios a escassez de meios técnicos e de um público alfabetizado fazia do jornalismo a forma de difusão por excelência de factos importantes, hoje em dia, os media funcionam antes como criadores de narrativas num universo extremamente complexo – valendo-se da falsa ideia de cobertura total e neutra, criada pela produção exaustiva de conteúdo. Os donos da informação gratuita são, assim, não necessariamente os receptores das mensagens – consumidores da informação – mas, pelo contrário, os interessados em difundir narrativas.

Infotainment português, uma realidade em construção

Seria relativamente intuitivo pensar este conceito como a produção de notícias com base na informação e no entretenimento. As denominadas soft news são o resultado deste processo e procuram chegar ao espectador, leitor ou ouvinte de uma forma mais atractiva. Contudo, a definição de infotainment não se cinge apenas à concepção de notícias.

O lado negro da indústria da moda de que falta sempre falar

Considerada das mais poluentes, a indústria da moda está actualmente assente num conceito capitalista difícil de mudar, por muitas “colecções conscientes” que sejam criadas.

A informação nutricional e a moda do “sem tudo e mais alguma coisa”

Hoje em dia, a alimentação é tema recorrente. E ainda bem. Ainda bem que as pessoas estão a ganhar mais consciência e a interessar-se mais por saber aquilo que estão a comer.

No entanto, numa era em que a informação é quase infinita, ficamos meio perdidos entre o sem glúten, sem lactose, sem açúcar e sem nada. A informação é tanta, está em tantos sítios, há tanta gente a dizer coisas diferentes, que damos por nós completamente perdidos.

Para viagens culturais

O dia em que o Hip Hop descobriu a mensagem e o poder da informação

Quantas vezes, nós, amantes da cultura Hip Hop, não vendemos o peixe aos amigos mais cépticos sobre a singularidade do rap, usando como argumento principal o poder da palavra face a outros géneros musicais. Mas o Hip Hop, a cultura onde o “Eu” influencia mas é o “Nós” que se fortalece, nem sempre foi território de rimas de intervenção e de mensagens informativas

Pelo Número Zero de Umberto Eco — também em jeito de lembrança na altura em que passa um ano da sua morte. Umberto Eco disse na voz de Maia: “Quem disse que a verdade vos libertará?”. E pelo universo cinematográfico, onde o jornalismo é personagem principal em 12 filmes sobre jornalismo para jornalistas e aspirantes.

E para um conselho para leitores

Porque devias deixar de ler notícias nas redes sociais

E porque é importante não esquecer nem relegar a história para segundo plano, aproveitámos o momento para dar a conhecer a história de Peter Maass, jornalista que há 15 anos atrás se encontrava lado a lado com o exército norte-americano na sua ofensiva ao Iraque.

Quando um jornalista já não sabe o que fazer para ser ouvido

Resumo por João Ribeiro e Mário Rui André