Conhece o posicionamento político dos partidos de 12 países da UE

Portugal também foi analisado no mais recente estudo sobre o tema. É naturalmente intuitivo perceber que os 8 partidos nacionais derivam numa lógica conservadora-liberal em termos de costumes/valores sociais e esquerda-direita em termos de economia.

Unidades móveis, instáveis e variáveis em tempo e espaço. Esta poderia ser a definição de partidos políticos, de uma forma simplificada e subjectiva. De tempos em tempos surgem estudos de opinião onde especialistas procuram posicionar os partidos segundo eixos económicos e sociais, tendo em consideração mais uma vez que os estudos são datados e permitem a comparação com estudos anteriores.

Um dos mais mais prestigiados estudos é o Chapel Hill Expert Survey. A mais recente investigação procurou posicionar o sistema de partidos de 12 países europeus, onde se inclui Portugal, em 2018. De uma forma simplificada, os cientistas políticos inquiriram um número definido de especialistas em cada país, onde se procurava saber o posicionamento de cada partido político nacional mediante questões sobre integração europeia, economia, valores sociais e assuntos actuais como a imigração ou a corrupção.

No fim de contas, os resultados indicam o posicionamento político dos partidos mediante dois eixos orientadores: economia e valores sociais. Para Portugal é naturalmente intuitivo perceber que os 8 partidos analisados derivam numa lógica conservadora-liberal em termos de costumes/valores sociais e esquerda-direita em termos de economia.

Alexandre Afonso, professor assistente na Universidade de Leiden na Holanda, utilizou os dados deste estudo e expôs de forma sistematizada os resultados dos 12 países analisados. Focando em Portugal, é fácil perceber que os partidos políticos ocupam dois quadrantes. 6 das 8 formações políticas estão inseridas na secção “liberal de costumes e de esquerda na economia”. Os 2 restantes (PSD, CDS) inserem-se nos conservadores de costumes e de direita na economia.

Há diversos dados curiosos que podemos extrair na análise deste gráfico, senão vejamos. Importa destacar desde já os partidos mais ao “extremo”. O CDS surge marcadamente como o partido mais liberal na economia e mais conservador nos costumes. Por oposição o BE é o partido mais à esquerda na economia e mais liberal nos costumes. Os investigadores marcaram ainda a posição semi-conservadora do PCP em matéria de costumes, curiosamente um dos partidos de esquerda mais conservadores dos 132 aqui analisados. Em matéria de partidos do centro, importa igualmente detalhar que o PS aparece muito mais posicionado ao centro do que o PSD, surpreendente tendo em conta que disputam o mesmo tipo de eleitorado.

Numa visão abrangente do gráfico, constata-se que Portugal tem semelhanças de posicionamento partidário com Espanha ou o Reino Unido. Nestes três países os quadrantes “liberal na economia e liberal nos costumes” e “conservador nos costumes e conservador na economia” permanecem vazios de relevância de análise. Em oposição, a Grécia e a Holanda possuem um sistema partidário que contempla todos os quadrantes.

Como mencionámos no inicio do artigo, os partidos são objectos políticos móveis que por circunstâncias variadas sofrem mutações de posicionamento e de matriz. O contexto político e económico do país onde actuam é o principal factor de alteração, todavia novos rostos, novos líderes e novas retóricas são elementos preponderantes para o futuro do próprio partido.