O Processo, filme sobre o impeachment de Dilma, estreia no IndieLisboa

Sem narração ou entrevistas, o filme assume-se como um documento histórico que percorre as conversas de bastidores, os encontros políticos e a polarização da opinião pública em torno da destituição da primeira mulher presidente do Brasil.

Dilma Roussef

São duas horas de filmagens, votações e sessões que acompanham, de forma próxima, o mediático processo que levou ao afastamento de Dilma dos comandos do Senado brasileiro. A longa metragem de Maria Augusta Ramos retrata a estratégia construída pela equipa de defesa da ex-chefe de estado brasileira, acusada de maquinar as contas públicas.

Sem narração ou entrevistas, o filme assume-se como um documento histórico que percorre as conversas de bastidores, os encontros políticos e a polarização da opinião pública em torno da destituição da primeira mulher Presidente do Brasil.

A realizadora, em entrevista à AFP, constatou que a ideia para o filme surgiu do preocupante contexto político brasileiro e da sua tendência para fazer filmes para compreender o mundo. Maria Augusta Ramos recusa o título de activista que lhe pudesse ser atribuído por fazer um filme de cariz político; questionada sobre essa conotação, rematou dizendo que, se fosse activista, faria filmes “mais fáceis”. Sobre o processo de rodagem do filme, a realizadora brasileira de ascendência holandesa revelou, na mesma entrevista, que contou com uma abertura quase total da parte da defesa de Dilma, podendo gravar livremente em grande parte das reuniões e encontros mais importantes sobre este polémico caso.

A estreia de O Processo em Portugal acontecerá no IndieLisboa e contará com a presença da realizadora, que, a par de apresentar o filme, participará numa conversa em torno das relações entre o cinema, a política e a liberdade. Sob o tema “Por um cinema que dá mais força à Liberdade”, João Salaviza, Marco Martins, Maria Augusta Ramos e Rüdiger Suchsland falarão sobre as diferentes formas de representação da política no cinema e como este pode levantar questões, abordar injustiças sociais e turbulências políticas — dia 3 de Maio, pelas 17h00, na Biblioteca Palácio Galveias.

Promovendo um olhar crítico e a ligação do cinema com os contextos, a selecção de filmes do festival integra outros títulos que tocam os arquivos históricos da política mundial, tais como Tara Moarta (de Radu Jude), Four Parts of a Folding Screen (de Anthea Kennedy e Ian Wiblin) ou Hitler’s Hollywood (de Rüdiger Suchsland), para além da vasta programação de curtas e documentários.

O Processo poderá ser visto no dia 1 de Maio, às 18h30, e dia 6 de Maio, às 19h00, no Cinema São Jorge.