1% mais ricos terão 64% de toda a riqueza do mundo em 2030

As diferenças salariais, a percentagem do salário que é possível poupar ou a acumulação de activos ao longo dos tempos são os 3 pilares em que assenta a desigualdade no ritmo de crescimento de um e de outro lado.

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A acumulação da riqueza e as crescentes desigualdades são uma preocupação premente mas da qual raramente ganhamos novas perspectivas. Falamos do 1% mas não o vemos a crescer pelo que não percebemos para que tipo de cenário evolui o ambiente global.

Uma projecção levada a cabo pela Câmara dos Comuns no Reino Unido vem colmatar essa falha, dando-nos uma noção da tendência de distribuição da riqueza durante a próxima década e as perspectivas não são animadoras. Segundo o relatório, a verificar-se o sentido e inclinação da tendência vigente desde o crash financeiro desde 2008, o 1% de pessoas mais ricas no mundo terá em 2030, 64% de toda a riqueza disponível.

Desde 2008 que a riqueza do ‘1%’ não tem parado de aumentar a uma cadência média de 6% ao ano, enquanto que a dos restantes 99% evolui a metade do ritmo.

Segundo o mesmo relatório, a crise financeira de 2008 foi um dos grandes motores para o crescimento da desigualdade, com os ricos a saírem mais ricos e os pobres mais pobres no momento de retração económica.

As diferenças salariais, a percentagem do salário que é possível poupar ou a acumulação de activos ao longo do tempo são os 3 pilares em que assenta a desigualdade no ritmo de crescimento de um e de outro lado. Para além disso, também os investimentos avultados em acções ou activos valorizáveis contribuem para o agravar do fosso.

Um deputado britânico do partido Tory, George Freeman, em comentário sobre os dados, recordou que a pobreza também está a ser irradicada a uma velocidade recorde mas sublinhou a preocupação com a concentração de riqueza promovida pela globalização e pelo ritmo e dinâmica de desenvolvimento das tecnológicas — empresas de escala global com uma elevada concentração dos seus activos.

Ouvido pelo The Guardian, um professor de Geografia de Oxford recordou que o último grande pico de desigualdade foi atingido em 1913 e que mesmo que as condições voltassem ao zero, a tendência de agudização da problemática continuaria por mais “uma ou duas décadas”.