Kendrick Lamar a ganhar o Pulitzer? DAMN.

Na categoria do Pulitzer mais conhecida e cobiçada, a de serviço público de jornalismo, foram distinguidas as publicações New York Times e New Yorker .

Kendrick Lamar Pullitzer

Verdade seja dita, Kendrick Lamar atingiu um estatuto de consagração que qualquer prémio que lhe dêem já pouco se estranha. Com DAMN., Kendrick convenceu os poucos cépticos que tinham sobrevivido a To Pimp a Butterfly e pôs fim ao elemento surpresa inerente a qualquer distinção. Qualquer… não é bem assim. Se em matéria Grammys, EMA’s e Emmys — aqueles galardões que baralhamos frequentemente — já estamos à espera que o jovem prodígio de Compton arrebate tudo o que há para arrebatar, nunca pensámos que tomasse de assalto um dos prémios mais prestigiados e geralmente restrito a música dita erudita, estilo jazz ou clássica.

Kendrick Lamar juntou ontem ao seu já vasto currículo de prémios o Prémio Pulitzer na categoria de música, uma prova clara de que a qualidade musical e da lírica já ultrapassa qualquer barreira que o género musical pudesse levantar. As barras carregadas de sentido social, os beats poderosos ou até mesmo os convidados de dimensão super-mediática foram os ingredientes necessários a tornar DAMN. numa mistura arrebatadora de prémios.

O disco é tido por muitos como um dos melhores da nossa geração e, assim se explica, que pela primeira vez em 75 anos de atribuições, Kendrick tenha desviado das mãos de artistas clássicos o galardão. Kendrick Lamar “ganhou” na final, frente a uma composição para quarteto de cordas e a uma cantata.

Dana Carney, uma das responsáveis pelo prémio adiantou em entrevista à Billboard que a decisão surgiu entre o grupo de jurados depois de se aperceberem que estavam a escolher músicas influenciadas pelo hip hop. A partir daí surgiu a questão “porque não premiar uma música hip hop?” e a resposta foi evidente com o nome Kendrick Lamar a surgir em consideração e a recolher o consenso.

Noutras distinções

Na categoria do Pulitzer mais conhecida e cobiçada, a de serviço público de jornalismo, foram distinguidas as publicações New York Times e New Yorker pelo trabalho de acompanhamento do escândalo sexual que abalou Hollywood envolvendo Harvy Weinstein e deu origem ao movimento #MeToo — um movimento global pela denúncia de casos de assédio que revelou prevaricadores um pouco por todo o mundo.