Kanye West voltou ao Twitter para nos dar uma lição sobre liberdade criativa

É que o rapper, pop star e agora escritor norte-americano, decidiu escrever o seu livro em tempo real no Twitter.

kanye west twitter
Fotografia original: Jeff Kravitz/MTV1415/FilmMagic.

Depois de ficar conhecido pela sua loucura em 140 caracteres, Kanye West tinha decidido dar um tempo à plataforma. Parou de fazer novos tweets e até apagou os antigos, mas esta semana, quando nada o fazia prever, voltou à actividade.

Tinha anunciado recentemente estar a trabalhar num projecto de âmbito diferente, um livro de filosofia já com título predestinado Break the Simulation e antes que pudéssemos esperar material de promoção da obra… estamos a lê-la.

Apesar de muitas vezes ser conotado com a ideia de loucura espontânea, Kanye assenta as suas ideias e projectos em pensamentos bem mais profundos e auto-reflexivos e é isso que quer partilhar connosco. Pelas primeiras páginas… ou tweets — mas já lá vamos — o livro parece querer agitar as águas e despertar consciências e para já até pela forma o está a conseguir. O McLuhan previu a internet sem prever o Kanye West mas já dizia: o meio é a mensagem.

É que o rapper, pop star e agora escritor norte-americano, decidiu escrever o seu livro em tempo real no Twitter. São pequenos pensamentos de 140 caracteres que dificilmente imaginamos impressos no formato clássico mas que não deixam de ter o seu valor. Não é a nova teoria de evolução das espécies, nem um rasgo Iluminista mas é um artista de renome num abr’olhos ao sistema num formato em que certamente terá mais atenção.

Sem editores nem publishers, Kanye escreve directo para quem o quiser ler — e seja por curiosidade ou um certo desejo secreto de ver alguém em ataques compulsivos de honestidade são muitos os que se juntam à festa. 

O material dos seus tweets não é life-changing como já mencionamos acima mas ainda assim, recorda ideias essenciais que, sinceramente, nem sabíamos que Kanye West sabia, num devaneio que vai desde um grito contra os direitos de autor que nos lembra por exemplo Debord, até uma lição sobre como ver o carácter das pessoas na forma como elas tratam os indefesos, ideia por exemplo explícita na obra de Milan Kundera. 

Originalidade, ansiedade criativa, o peso do eu, a inevitabilidade da cópia ou a auto-validação são alguns dos tópicos que o Mr. Kanye já expôs na sua preleção público-digital. 

O momento soa a algo que Kanye sempre quis fazer. Nos comentários há quem diga que pode estar para sair um trabalho do artista “se o Kanye está a Twitter, significa que tem tempo livre… ou seja… deve ter acabado mais um projecto” lê-se; na realidade ficamos sem perceber se Kanye acabou mais um projecto ou se simplesmente começou um. O formato desta iniciativa pode indiciar alguma inconsequência mas o mote dado para ja deixa-nos com alguma vontade de ler o que o Kanye tem para escrever. 

A vontade de compreender o icónico rapper e a fundação das suas ideias junta-se à necessidade de Kanye de expressar a sua clássica incompreensão mundana. Não é o próximo grande filósofo, nem o próximo grande escritor mas pode ser o próximo pop star com cabeça… e quanta faltam fazem.