Julian Assange está sem ligação à internet

Pamela Anderson, Brian Eno, Noam Chomsky ou Kim Dotcom estão entre os promotores do movimento #ReconnectAssange e #ReconnectJulian.

Protestos à frente da embaixada do Equador em Londres, onde Assange está refugiado (foto via Twitter)

Julian Assange, fundador e rosto principal da Wikileaks, está asilado na embaixada do Equador no Reino Unido, de modo a evitar a sua extradição para os Estados Unidos. Desde 2012, tem vivido naquele edifício de tijolo vermelho, ligando-se ao mundo através da Internet. Assange expressa-se através da Wikileaks mas também do Twitter, plataforma onde costumava ser bastante activo, até ter ficado sem acesso à internet.

O motivo: o facto de Julian Assange comentar assuntos internacionais. “O Governo do Equador suspendeu os sistemas que permitem a Julian Assange comunicar com o mundo exterior a partir da embaixada do equatoriana em Londres”, disse a Secretária de Comunicação, esta quarta-feira, em comunicado. “A medida foi adoptada depois de Assange ter falhado em cumprir o compromisso escrito firmado com o Governo em Dezembro de 2017, no qual foi obrigado a não emitir mensagens que possam interferir com outros estados.”

O Governo do Equador está, assim, preocupado que o uso que Assange faz das redes sociais possa prejudicar “as boas relações que o país mantém com o Reino Unido, outros países na União Europeia e outras nações” e refere que pode tomar outras medidas se o fundador da Wikileaks continuar a quebrar o seu compromisso.

Recentemente, Julian Assange criticou a decisão de prender Carles Puigdemont, um dos líderes do movimento independentista catalão, para além disso, comentou também o caso dos Cambridge Analytica Files, e respondeu a Alan Duncan, Ministro do Estado britânico para a Europa e Américas, que considerou Assange um “pequeno verme miserável” que deveria sair da embaixada e entregar-se à justiça britânica. Esta foi a resposta do rosto da Wikileaks:

#ReconnectAssange e #ReconnectJulian

Diversas vozes têm surgido contra a desconexão de Julian Assange à grande rede, através das hashtags #ReconnectAssange e #ReconnectJulian. O economista grego Yanis Varoufakis e o empreendedor-activista alemão Kim Dotcom são dois dos signatários da petição pela reconexão de Assange, numa lista onde surgem nomes de várias esferas como Pamela Anderson, Noam Chomsky ou Brian Eno. Yanis comentou o caso numa conferência promovida pelo movimento político DiEM25, enquanto que Kim partilhou uma foto de protestos à porta da embaixada do Equador em Londres, incentivando à mobilização popular.

Estas vozes junta-se às de um grupo de escritores, jornalistas, artistas, cineastas e activistas que assinaram uma petição, na qual exigem ao Governo do Equador que restabeleça a Internet na “residência” de Assange. Outra petição está a ser partilhada por fonte oficial da Wikileaks.

Nos últimos anos, a Wikileaks tem sido, todavia, contestada. A divulgação de e-mails do Partido Democrata, de Hillary Clinton, aquando das eleições norte-americanas de 2016, fragilizaram a organização, levantando a questão se a Wikileaks é um órgão de comunicação social realmente livre e independente ou um instrumento ao serviço de uma qualquer entidade governamental. Críticas têm também sido feitas a Julian Assange, por a sua figura se ter tornado demasiado presente na Wikileaks, confundido-se quase sempre com esta.

A história da Wikileaks e de Julian Assange foi contada pela realizador Laura Poitras no filme Risk, apresentado ao público no ano passado.