A internet está cheia de armadilhas pelo nosso dinheiro e pela nossa atenção

Evita os perigos da internet e navega livremente.

Se és leitor ávido do Shifter já deves ser familiar com o conceito de que hoje te queremos falar — Dark Patterns. Se não és, prepara-te, porque depois deste artigo sairás daqui com defesa redobradas para fazer frente às múltiplas estratégias utilizadas por designers e programadores para te convencer a tomar determinada decisão ou a comportares-te de determinada forma.

Estão em todo o lado e em todas as formas — as dark patterns são pequenos truques escondidos nas interfaces de sites, aplicações e campanhas que procuram tirar partido dos processos de percepção e cognição humana. Assim, mais do que uma técnica de design ou uma estratégia de marketing, as dark patterns são uma espécie de social trick da internet. Se a princípio surgiram para tornar mais simples a migração para este novo ambiente, hoje em dia são como uma espécie de publicidade enganosa que nos persegue a cada navegação.

Os exemplos são mais que muitos e as possibilidades tendencialmente infinitas. No fundo, criar uma dark pattern nem exige conhecimentos técnicos especialmente avançados, apenas redobrada atenção ao detalhe para depois o subverter. Estas estratégias, por serem efectivas e passarem despercebidas na maioria dos casos, não são alvo da indignação dos internautas e vão-se replicando entre “case studies” e estratégias online infalíveis.

O exemplo mais óbvio de uma dark pattern perfeitamente generalizada são as próprias políticas de utilização que, como diz Richard Stallman, foram feitas para não ser lidas, levando o utilizador a aceitar algo que nem se deu ao trabalho de analisar. Mas o problema não se fica pelo momento do registo.

Pop-ups em que as hipóteses de resposta surgem em níveis desiguais, linguagem desproporcional ou ambígua, botões escondidos, falsas promoções ou redirecionamentos indesejados são alguns dos casos mais comuns num universo em que não param de surgir novas espécies.

Desde 2010 que as Dark Patterns ganharam um local próprio em darkpatterns.org, numa iniciativa criada por Alexander Darlo para consciencializar os utilizadores. Para além do site com um resumo das práticas, o movimento tem também um twitter onde vai reportando os casos públicos em que se verificam estes padrões subversivos mais evidentes.

Por se tratar de uma armadilha digital podemos ter uma tendência natural para desvalorizar o caso que ganha relevância à medida que a nossa economia evolui também ela para este ambiente. Empresas como a Amazon, Booking, ou outros gigantes do comércio online, são alguns dos maiores especialistas neste tipo de estratégia. Para além disso, é importante também ter em conta a quantidade de horas passadas online e a forma como estes truques são utilizados para aumentar ainda mais esse valor.