“A Google não deve estar no negócio da guerra” dizem funcionários em carta aberta

Empregados da Google dirigem carta ao CEO dirigida ao CEO a exigir uma mudança de posição da gigante tecnológica em relação à sua colaboração com o Departamento de Defesa do governo norte-americano.

“Nós acreditamos que a Google não deve estar no negócio da guerra.” É assim que começa a carta aberta assinada por empregados da Google e dirigida ao CEO,  Sundar Pichai, em que exigem uma mudança de posição da gigante tecnológica em relação à sua colaboração com o Departamento de Defesa do governo norte-americano no denominado “Projecto Maven”.

A Google juntou-se ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos para ajudar no desenvolvimento de inteligência artificial (IA) para analisar imagens captadas por drones em cenários de guerra, mas os funcionários da tecnológica estão preocupados com esta ligação aos serviços militares norte-americanos, conforme reporta o site Gizmodo. — SHIFTER 7 de Março

O descontentamento dos empregados da Google em relação a esta matéria já tinha vindo a público no passado mês de Março, na altura, Diane Greene — membro do board de direção da google —, assegurou que a tecnologia não iria ser usada para operar drones. A explicação, limitando o leque de utilizações, não descansou os colaboradores que fazem notar na sua carta que “a tecnologia está a ser desenvolvida para uso militar e uma vez entregue pode facilmente ser utilizada para auxiliar nesse tipo de tarefas”.

A carta que segundo o New York Times acolheu 3,100 signatários, vai fundo quando aponta as consequências que a continuidade deste projecto terá para a Google, associando-a a preocupações globais como a associação da inteligência artificial à indústria do armamento, e pondo-a ao nível de empresas com má reputação como a Palantir, a Raytheon e a General Dynamics. Na mesma sequência, os autores rebatem a possibilidade de comparação com outras tecnológicas como a Microsoft e a Amazon que actuam nesse sector, relembrando o motto único da empresa: Don’t be evil.

Entretanto, a Google já fez um novo comunicado de resposta enviado às redações dos órgãos de comunicação social internacionais reconhecendo a preocupação em manter a cultura da empresa transparente e em ter debates como este. No mesmo documento relembrou que o projecto se baseia em tecnologia open source disponível em qualquer utilizador e se destina a práticas não ofensivas. A preocupação com o uso de tecnologia de ponta por parte das unidades militares também é subscrita com a empresa a assegurar estar a trabalhar em políticas sobre o desenvolvimento e utilização das tecnologias de aprendizagem automática.

O comunicado da empresa não responde para já ao último ponto da carta endereçada pelos funcionários que pedia a interrupção do projecto e a publicação de políticas que garantissem a empresa não iria cooperar com a indústria do armamento. A tecnologia de reconhecimento de imagens através de inteligência artificial pode não ser directamente ofensiva mas pode ser parte das ferramentas que propiciam os ataques pelo que a preocupação dos funcionários da Google — que deve ser de todos nós que confiamos na empresa — permanece válida.