ETA anuncia fim definitivo do grupo em Maio e pede “perdão”

Organização socialista revolucionária reconhece os "graves danos" causados enquanto organização armada e pretende que o recurso a armamento termine definitivamente.

O grupo separatista basco Euskadi Ta Askatasuna (ETA), ou Pátria Basca e Liberdade, vai anunciar a dissolução da organização a 5 de Maio deste ano. A informação foi avançada por fontes da ETA à imprensa espanhola.

A proposta de término já tinha sido anunciada pelo jornal basco Gara em Fevereiro, apesar de o grupo ter começado o  processo de desarmamento há um ano e de renúncia ao terrorismo e à luta armada em 2011. A votação de Fevereiro, que se mostrou favorável ao fim do grupo, foi confirmada pela estação televisiva pública ETB. Contudo, a data da dissolução, que estava marcada para o Verão deste ano, foi antecipada.

A organização socialista revolucionária reconhece, numa declaração publicada na manhã desta sexta-feira, os danos causados enquanto organização armada e pretende que o recurso a armamento pela causa basca termine definitivamente. Apesar do seu encerramento, os membros do grupo pretendem continuar activos na esfera política, através do movimento de esquerda Abertzale.

A direcção da ETA admite também que o conflito político e histórico que levou à sua formação e permanência devia contar com uma “solução democrática justa” há muito tempo, cita o jornal Gara. “As gerações posteriores ao bombardeio de Guernica herdaram a violência e o pesar, e cabe-nos fazer com que as gerações vindouras tenham outro futuro”, reconhecem.

“Queremos mostrar o nosso respeito aos mortos, feridos e vítimas que resultaram das acções da ETA”, explica o grupo terrorista na declaração. “Sabemos que, obrigados pela necessidade de todo o tipo de luta armada, as nossas acções terão prejudicado cidadãos e cidadãs sem responsabilidade alguma. Também provocamos graves danos que não têm volta a trás. A estas pessoas e aos seus familiares pedimos perdão, continua o texto.

Em comunicado, o Governo espanhol reconheceu que “parece bem que o grupo terrorista peça desculpa às vítimas, porque as vítimas, a sua memória e a sua dignidade, foram determinantes na derrota da ETA”.

Desde de 2011, ano em que dois membros da ETA mataram um polícia francês durante uma operação stop, que a presença e actividade do grupo têm vindo a enfraquecer, o que se intensificou também com a prisão dos seus principais membros em 2015.

A decisão final, agora tornada pública, põe fim a um ciclo de mais de 50 anos de existência que levou à morte de 850 pessoas. A ETA promete manter uma posição pacífica até Maio. O encerramento da sua actividade foi encarado com naturalidade pela actual direcção.

A Euskadi Ta Askatasuna, ou País Basco e Liberdade, foi fundada em 1959, numa altura em que a identidade e a língua basca — uma das mais antigas de toda a humanidade — eram reprimidas pelo regime de Franco.