Novos estudos podem alterar as bases do tratamento do cancro

Os resultados sugerem que a patologia cancerígena devia ser agrupada por tipo, e não por localização primária, como se adopta hoje em dia na prática clínica.

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“PanCancer Atlas”, fundado por Francisc Collins, do “National Institutes of Health”, é um estudo que investigou mais de 300 genes que promovem o crescimento tumoral. Os resultados desta grande investigação são muito promissores e podem vir a alterar o paradigma do tratamento neoplásico.

O estudo decorreu durante cerca de uma década e teve a colaboração de 150 investigadores. Neste projecto foi analisado DNA e RNA de amostras tumorais de mais de 11.000 doentes. E foram estudados 33 tipos diferentes de cancro.

Alterações no paradigma da doença

Os resultados sugerem que a patologia cancerígena devia ser agrupada por tipo, e não por localização primária, como se adopta hoje em dia na prática clínica. Na verdade, um dos tipos de tumor estudado, foi encontrado em 25 localizações diferentes do nosso organismo. Isto implicaria, segundo a abordagem médica tradicional, tratamentos diferentes, apesar de se tratar do mesmo tipo de tumor.

A classificação por tipo, baseada nas características genéticas e moleculares do tumor, permite-nos criar terapêuticas mais personalizadas e dirigidas. Esta é sem dúvida uma área de investigação muito promissora, uma vez que se constatou que apenas metade das amostras tumorais analisadas no “PanCancer Atlas” apresentavam mutações que podiam ser combatidas por terapêuticas já existentes.

Adoptar terapêuticas orientadas pela patologia molecular do tumor, adicionalmente à sua classificação clínica, poderá tornar-se agora uma realidade. É sobretudo por este motivo que o “PanCancer Atlas” assume uma extrema relevância clínica.

Neste âmbito, e reforçando a abrangência desta investigação, foram publicados 29 artigos diferentes no jornal “Cell”, baseados no “PanCancer Atlas”.