Gostavas de ir ao Coachella? Um dos donos tem financiado causas homofóbicas com os lucros

O Coachella é visto como um dos festivais mais trendy do panorama mundial pelo que a sua associação a lutas conservadoras ou supremacistas vai no sentido contrário à de grande parte dos seus visitantes.

Coachella 2018

Todos os anos a febre do Coachella é como uma epidemia global que se propaga através dos feeds deixando uma boa percentagem da população mundial da internet desejosa de poder viajar até ao festival. Seduzidos pelos cartazes recheados de nomes sonantes — este ano destacam-se Beyoncé, The Weeknd e Eminem — os milhares de pessoas tornam-se alheios à realidade de que o festival, para além de um encontro das principais estrelas do mundo pop, é também um negócio que gera milhões de receita.

Este ano, com a polarização mais acentuada do mundo e o espírito crítico a começar a ganhar terreno a história foi ligeiramente diferente. O festival tornou-se viral assim que começaram a venda de bilhetes mas não foi pelos motivos habituais. Philip Anschutz, um dos donos do festival, era desta vez o nome que recolhia atenção ao contrário dos habituais artistas mainstream. E porquê?

Em causa está uma ONG fundada por um dos organizadores do festival Coachella e os investimentos feitos através dessa instituição para causas conservadoras e adversas aos direitos humanos. O primeiro desses investimentos teria acontecido entre 2010 e 2013, com a entrega deu uma soma de 190 mil dólares a grupos homofóbicos mas acabou negado pelo próprio milionário que acrescentou ter parado de doar dinheiro a uma série de instituições por se aperceber dessa tendência.

Agora, a Pitchfork teve acesso aos dados referentes aos investimentos feitos no ano 2016 e as conclusões não são propriamente animadoras. Emuições com políticas não igualitárias. No documento a que a Pitchfork teve acesso foi possível identificar pelo menos 5 empresas com esse perfil.

Num comunicado de resposta à investigação da revista, os porta-vozes do milionários reafirmaram o seu compromisso em parar de financiar instituições que não promovam os direitos humanos de um modo igualtário.

A sua tendência para apoiar o lado conservador, esse, é irrevogável e está patente numa série de outras doações avultadas a instituições, por exemplo, contra a legalização da cannabis. Esta tendência tem aliás reflexo no festival que apesar de se localizar num estado onde a marijuana é legal continua a proibir o consumo da substância no recinto.

Hey since Marijuana is legal now, that means I can use it at Coachella right?

Sorry bro. Marijuana or marijuana products aren’t allowed inside the Coachella Valley Music and Arts Festival. Even in 2018 and beyond.  If that changes we will update this answer.

O caso não representa propriamente uma novidade mas mostra como o público se está a tornar progressivamente mais sensivelmente à face não-visível das organizações, procurando com a ajuda da imprensa discernir onde vai parar o dinheiro que de modo indirecto acabam por entregar aos donos disto tudo. Neste caso o choque é compreensível. O Coachella é visto como um dos festivais mais trendy do panorama mundial pelo que a sua associação a lutas conservadoras ou supremacistas vai no sentido contrário à de grande parte dos seus visitantes — muitos deles, seguramente, com estilos de vida não normativos.