Um ciclo de cinema que quer reavivar o amor e a intimidade

Uma ode ao amor ilustrado por vários clássicos do cinema independente iniciado em Fevereiro no Espaço Nimas, continua até 20 de Junho em exibição.

amor intimidade Nimas
Hiroshima, Mon Amour, de Alain Resnais, um dos filmes deste ciclo em exibição no Espaço Nimas

Numa época em que a nossa vida privada nunca esteve tão exposta, faz sentido pensar numa crise da intimidade conduzida por uma sobre-exposição pessoal. Uma contínua mostra do eu e uma individualidade que se vai perdendo, conduzida por mil redes sociais que operam ao mesmo tempo, a todos os minutos do dia num constante estímulo do cérebro que pouco tempo e espaço nos deixa para a reflexão e para o pudor faz-nos pensar que vivemos numa banalização de sentimentos e emoções outrora fortuitos e inestimáveis. Já não se pensa a palavra “amor” e a intimidade e, neste contexto de exposição pública, parece ter perdido o seu sentido mais privado.

É esta a premissa deste ciclo, que propõe o cinema como ferramenta útil para examinar e reflectir esta mesma questão do amor e da identidade. Somos obrigados, durante duas a três horas a fugir ao flash de informação, ao estímulo constante do dia-a-dia e à distracção eterna a que a contemporaneidade nos habitua – é tempo de parar, pensar e olhar. Não há nada entre o espaço entre nós e o ecrã – cria-se uma oportunidade para a visualização calma e reflectiva do filme, na luz destes temas e destas questões.

Organizado pelo Instituto de História da Arte (IHA) em conjunto com a Medeia Filmes e a Leopardo Filmes, este ciclo, composto por uma selecção de 10 filmes, encontra-se exactamente a meio do caminho, com ainda grandes clássicos do cinema moderno e contemporâneo. Com sessões quinzenais no Espaço Nimas, após a exibição do filme abre-se um debate onde se conversa entre críticos de cinema, artistas, historiadores, antropólogos e outros os filmes à luz destes problemas e destas questões sociais da contemporaneidade.

Ma Muit Chez Maud, de Eric Rohmer, em exibição a 2 de Maio no Espaço Nimas

A próxima sessão é na primeira quinta-feira de Maio (as sessões são sempre às quintas) com Ma Muit Chez Maud, de Eric Rohmer. É o terceiro da série “Six Moral Tales” do autor, que numa jornada de seis filmes desenvolve um espaço para desafiar e pensar a moral, o amor e a relação entre homem e mulher. Para quem tiver vontade de mais, uma boa sugestão é chegar a casa e ver os restantes – partilham uma narrativa semelhante e o problema central é geralmente o mesmo, tornando-se num estudo das diferentes reacções e acções do ser humano e do homem e da mulher numa vida conjunta.

Buffalo’66, de Vincent Gallo, em exibição a 16 de Maio

Em Maio podemos ainda ver o filme de culto independente que durante anos inundou feeds do póstumo Tumblr, Pinterest e Instagram, enquanto marco de uma cultura visual independente da América dos anos 1990, Buffalo’66, de Vincent Gallo. No final do mês um exercício de suspense e manipulação italiano com Non Credo Più Al’amore (La Paura), de Rosselini. Termina em Junho, quando ainda podemos ver Dolls, de Takeshi Kitano, e Boy Meets Girl, de Leos Caraux, respectivamente a 6 e 20 de Junho.

Texto de: Elisabete Magalhães
Editado por: Mário Rui André