Terminada a primeira ponte impressa em 3D. Poderás pisá-la em Amesterdão em 2019

Foi impressa em aço por robôs industriais.

Foto via MX3D

Vai permitir a travessia pedonal num dos múltiplos canais de Amesterdão – o Oudezijds Achterburgwal – e está, por fim, impressa. Sim, leste bem, impressa. Trata-se de uma estrutura em metal desenhada por humanos e construída por robôs, uma “aventura” começou em 2015.

Foi em 2015 que uma start-up tecnológica holandesa, chamada MX3D, se dedicou a pensar numa forma de mostrar todo o potencial de impressão 3D, concluindo que a construção de uma ponte num dos canais mais antigos de Amesterdão seria uma “fantástica metáfora para a ligação entre uma tecnologia do futuro e o passado de uma bela cidade de uma forma que revelasse os melhores aspectos dos dois mundos”. A criação dessa ponte em impressão 3D seria, simultaneamente, um processo de aprendizagem – com uma duração difícil de prever – para a MX3D, mas passado perto de 4 anos, chegou ao fim.

Quatro anos depois, a ponte da MX3D está impressa mas ainda não está finalizada. Faltam-lhe alguns pormenores ornamentais, prevendo-se que a estrutura venha a ser instalada no Oudezijds Achterburgwal algures em 2019. Antes disso, em Outubro deste ano, deverá ser mostrada publicamente na Dutch Design Week.

Desenhada pelo holandês Joris Laarman, a estrutura tem 12 metros de comprimento e 4 de largura, tendo sido produzida por robôs industriais a partir de aço fundido e consoante desenhos técnicos feitos em Autodesk.

O projecto contou (e conta) com vários parceiros, como a Arup, que ficou encarregue da engenharia, a Lenovo, que forneceu todo o hardware computacional, ou a Imperial College London, cujos investigadores vão realizar vários testes de carga total para comprovar a integridade estrutural da ponte. Aliás, alguns desses testes já foram feitos de forma informal durante uma festa para celebrar a conclusão da impressão da ponte, tendo a mesma “portado-se bem”.

Uma ponte digital

Apesar de ser feita em aço, a ponte da MX3D terá sensores incorporados que servirão para recolher dados sobre a tensão e vibração da estrutura, bem como factores ambientes (qualidade do ar e temperatura) e dados estatísticos (por exemplo, quantas pessoas estão a atravessar a ponte e a que ritmo). Dessa forma, poderá ser criado um “gémeo digital” da ponte, actualizado em tempo real à medida que a informação é recolhida no local.

Todo este sistema digital está a ser desenvolvido por matemáticos do Alan Turing Institute, especialistas em Internet das Coisas e engenheiros, em conjunto com a MX3D, e permitirá perceber digitalmente o comportamento que a ponte física poderá ter – informação que pode ser útil no desenvolvimento de futuras pontes em impressão 3D. Contudo, antes disso e numa primeira fase, os sensores da ponte ajudarão nos testes de performance da estrutura.