Uma ideia para salvar florestas: telemóveis antigos e inteligência artificial

Pode uma tribo e um conjunto de estudantes proteger a Amazónia recuperando smartphones Android e recorrendo a aprendizagem automática?

Foto via Google

2017 fez-nos olhar de forma diferente para as nossas florestas. Os intensos incêndios do Verão e do trágico 15 de Outubro realçaram o abandono de boa parte da nossa massa verde, bem como para os perigos da desflorestação e do cultivo intensivo de espécies como o eucalipto. O Governo português anunciou um plano florestal e tem-se desdobrado em mensagens de incentivo à limpeza das matas – mas uma tribo na Amazónia pode dar-nos mais uma boa ideia.

Temblé é uma das muitas comunidades que habitam a floresta da Amazónia. E com telemóveis antigos e de inteligência artificial (ou, melhor, aprendizagem automática), quer proteger aquele que é conhecido como o “pulmão da Terra”. A ideia é usar essas ferramentas para montar um sistema que permita vigiar a floresta, detetando barulhos e comportamentos estranhos.

A tribo Tembé não está sozinha nessa iniciativa. Conta com a ajuda de centenas de estudantes de Los Angeles abrangidos por um programa de educação chamado STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics), que consiste no ensino destas competências numa abordagem interdisciplinar e muito prática. Os jovens estão desde 21 de Março, o Dia da Terra, e até 22 de Abril a construir esta espécie de “guardas florestais electrónicos” a partir de smartphones Android desaproveitados. Estes “guardas digitais” recebem energia solar para funcionar e a inteligência artificial da Google – o TensorFlow, uma biblioteca de código aberto.

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Os dispositivos são depois instalados na parte superior das árvores da floresta húmida da Amazónia, capturando sons de extração ilegal de madeira e alertando os guardas florestais humanos (e os estudantes) em tempo real. Os “guardas digitais” construídos no final de Março vão ser durante este mês de Abril instalados no Peru, Brasil e Indonésia, estimando-se que o projecto resulte numa cobertura de cerca de 40 mil hectares de floresta até 2020.

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Para se consciencializarem do problema, a partir de Los Angeles, os estudantes foram convidados a assitir ao filme “Beneath the Canopy” e ligarem-se através do Google Hangouts aos indígenas da tribo Tembé, antes de começar a construir os equipamentos para serem instalados na Amazónia.

Podes saber mais sobre este projecto no blogue da Google e acompanhar de perto a Rainforest Connection, a start-up sem fins lucrativos que está promover toda esta iniciativa.

Assembly session with @mountainhardwear team

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