Mergulha nas profundezas com os Whales e o seu disco de estreia

O mais recente lançamento da Omnichord Records é uma viagem pelas profundezas do oceano. Vale a pena o mergulho.

A qualidade das novas bandas vindas de Leiria já não surpreende ninguém. Depois de os Nice Weather For Ducks terem aberto o caminho, hoje Surma e First Breath After Coma são alguns dos nomes vindos da cidade do Lis que vão vingando no panorama nacional e até internacional. Apoiados por uma editora independente que faz de casa-mãe, a comunidade musical da região está a fervilhar e o mais recente lançamento já está a dar que falar. Os Whales são um trio que já foi quarteto, que já foi indie rock puro e hoje navega em sintetizadores. O disco de estreia, homónimo, saiu no passado dia 16 de Março.

Depois de, em 2016, terem vencido o Festival Termómetro e de, em 2017, terem tocado um pouco por todo o lado à boleia do convidativo tema de apresentação “Big Pulse Waves”, a banda apresenta-se agora com uma sonoridade bastante distinta. Onde ecoavam os riffs de guitarra encontramos agora sintetizadores, mas o carácter dançável nunca se perdeu. Uma mudança de identidade que, contam-nos, acabou por surgir naturalmente. “Foi tudo muito natural. Quando começámos a compor para este disco tínhamos uma sonoridade em vista. Essa abordagem não funcionou, o resultado parecia algo forçado e não nos agradava. Acabámos por deixar as músicas seguirem o caminho que pediam e o resultado foi o presente no disco.”

Leiria é hoje em dia um poço de criatividade, onde a Omnichord Records assume o papel principal. Mas para além da editora, também a Casota Collective vai dando que falar, sendo que assumiu a produção de Whales – o tema “Christian Young Man” conta com a participação de dois membros do colectivo criativo (Telmo Soares e Rui Gaspar, que também pertencem aos First Breath After Coma) –, e a realização dos videoclips dos singles “How Long” e “Ghost” (este último recentemente nomeado para os Berlin Video Music Awards).

Esta colaboração artística que se vive na cidade acabou também por influenciar a forma como este disco surgiu. É um óptimo ambiente para se trabalhar, existe muita amizade e interajuda. E de certa maneira influencia a forma de fazer música, pois ao mesmo tempo que se vai compondo vamos tendo feedback em tempo real e vão aconselhando durante esse processo. É um bom grupo”, afirmam.

De Leiria para o mundo, os Whales encontram-se agora em digressão pela Europa com os Fugly a aprimorar o espectáculo que trarão depois a terras lusas para apresentar o disco de estreia. Apostamos que não vão faltar a muitos festivais este verão, e tu não vais querer perdê-los.