Aconteceu o primeiro acidente mortal com um carro autónomo

Tudo indica que a previsibilidade e a objectividade da tecnologia a tornará melhor condutora que os humanos, mas para tal é preciso continuar a aperfeiçoá-la.

Screenshot via ABC 15

Os carros sem condutor deverão ser, num dia não muito longínquo, comuns nas nossas estradas. Uber, Google (através do seu braço Waymo) e Apple estão entre as empresas que estão a desenvolver a tecnologia que permitirá uma condução autónoma segura e a testá-la já em ambiente real – leia-se na estrada. A par da electrificação, a autonomia de condução deverá ser das maiores revoluções que irá afectar a indústria automóvel.

Só em 2017 morreram nas estradas portuguesas quase 200 pessoas, tendo sido registados mais de 60 mil acidentes. Tudo indica que a previsibilidade e a objectividade da tecnologia a tornará melhor condutora que os humanos, mas para tal é preciso aperfeiçoá-la e, depois de um longo período de testes em ambientes controlados, as tecnológicas e fabricantes automóveis estão agora a fazer testes em estradas reais – também de forma muito cautelosa.

Contudo, por mais cuidados que possam existir e por melhor que a tecnologia seja, os acidentes podem acontecer. E foi o que aconteceu este domingo com um veículo autónomo em teste pela Uber no estado do Arizona, nos Estados Unidos. A vítima foi uma mulher que atravessava uma rua fora da passadeira e com a sua bicicleta pela mão; depois de o automóvel lhe ter batido, a senhora de 49 anos – Elaine Herzberg – foi levada para o hospital, onde acabou por morrer.

Screenshot via ABC 15

Tomando conhecimento do acidente, a Uber mostrou a sua solidariedade para com os familiares da vítima e disse estar a cooperar com as autoridades locais na investigação do acidente. A tecnológica anunciou ainda que suspendeu todos os testes com carros autónomos, que, além do estado norte-americano do Arizona, estavam a decorrer também nas cidades de São Francisco e Pittsburgh, ambas nos Estados Unidos, e em Toronto, no Canadá.

De acordo com as autoridades locais, a Uber não será culpada pelo acidente. “Numa análise preliminar, parece-me que a Uber não será provavelmente culpada por este acidente”, disse Sylvia Moir, chefe da polícia de Temple, cidade do Arizona onde aconteceu o acidente, ao jornal San Francisco Chronicle. “Não descarto a possibilidade de culpabilizar o [condutor de reserva] deste veículo da Uber.” Segundo a mesma responsável, o condutor que seguia no carro autónomo, para dar suporte ao veículo caso necessário, relatou que foi tudo muito rápido e que de um momento para o outro a pessoa apareceu à frente do carro, que seguia a 60 km/h numa zona limitada a 55 km/h.

O carro autónomo da Uber envolvido no acidente

Sobre este incidente, Robert Scoble, um conceituado blogger de tecnologia, que acompanha há longos anos esta área, escreveu no Facebook que era de esperar que um dia um acidente com um carro autónomo acontecesse. “Mais mortes vão seguir-se. A tecnologia não é perfeita. Nem os humanos. Mas os humanos a matar alguém de carro não é notícia porque acontece demasiado frequentemente”, partilhou, acrescentando que espera que possamos aprender tudo o que for possível sobre este acidente e que essa informação seja partilhada por todas as equipas que estejam a trabalhar na condução autónoma. “Isso é uma das coisas para que a regulação [deste sector] deverá servir. Todos os dados relativos a acidentes devem ser partilhados por todas as empresas. Dessa forma, todos os sistemas vão tornar-se mais seguidores e veremos menos e menos mortes”, disse ainda Robert Scoble.

The day has come.More deaths will follow. This technology is not perfect. Neither are humans. But humans killing…

Publicado por Robert Scoble em Segunda-feira, 19 de Março de 2018