O Tremor explicado em caixinhas…. pela Vera Marmelo

A certa altura perguntaram-me isso mesmo – o que era o Tremor para mim? – e a resposta foi a lista das caixinhas todas juntas, encostadinhas tipo tetris.

Fotografei demais como sempre!

E na tentativa de escolher umas mãos cheias de fotos para resumir os últimos 4 dias – este ano fiz batota e cheguei ao terceiro dia do festival – apercebi-me que tudo se dividia em caixinhas, bem organizadas na minha cabeça. A certa altura perguntaram-me isso mesmo – o que era o Tremor para mim? – e a resposta foi a lista das caixinhas todas juntas, encostadinhas tipo tetris.

A caixinha dos “momentos especiais”

A caixinha dos “momentos especiais”, em que se inclui a comunidade, em que se construi uma ideia de “tudo é possível”, ideias que saltam barreiras bem altas e acabam sempre em momentos inesquecíveis de ternura, bom humor e talentos partilhados. Neste ano as ideias foram juntar o Gringo Sou Eu à Escola de Música de Rabo de Peixe e o pessoal do Onda Amarela à Associação de Surdos da Ilha de São Miguel.

A caixinha das “residências artísticas”

A caixinha das “residências artísticas”, que têm sempre levado fotógrafos cujo trabalho admiro muito! Desde o Tito Mouraz no meu primeiro Tremor a este ano a Pauliana V. Pimentel, que era desde o minuto zero a minha maior aposta do 2018. Como é óbvio, foi aposta vencedora. A Pauliana entrou pela vida dos jovens de São Miguel adentro, agitou tudo um bocadinho e conseguiu misturar gente que muito dificilmente se iria cruzar.

A caixa das “talks do The Creative Independent”

A caixa das “talks do The Creative Independent”, possivelmente o meu site favorito e o meu entrevistador/comandante de conversas preferido, o T Cole Rachel.

E a faltar ficam os dois grandes caixotes.

O caixote dos “concertos surpresa”

O dos “concertos surpresa”. Este ano vi um na cascata que encontramos depois da caminhada das vertigens, o banho-maria da Ferraria e a cereja no topinho do bolo dos 10 000 russos que tocaram no túnel da Lagoa das Sete Cidades, o túnel que leva a Lagoa até ao mar. E não vale a pena escrever muito sobre isto. As imagens mostram tudo.

O caixote dos concertos

O caixote final é o dos concertos! Aquilo que justificará a etiqueta de festival de música que é agarrada ao Tremor. Mas que no final do dia são uma das partes grandes, mas muito pequeninas, ao pé da beleza toda que nos abraça nestes dias.

Como vocês estão aqui pela música! A destacar:

  • SheerMag: pela turminha da fila da frente que fez a festa, lançou os foguetes e apanhou as canas – adoro-vos, ainda bem que voltaram a fazer o mesmo em todos os concertos, sóis a melhor das companhias.
  • Victor Torpedo em modo Karaoke, obrigada por seres o gajo mais trouble maker e charmoso de todas as noites.
  • Aisha: salvaste-me da minha própria rabugice. Nota: quero morar dentro da blackbox do Arquipélago, pode ser?
  • Zulu Zulu: descritos minutos antes pelo André como os Animal Collective de Espanha – valeu pelos sorrisos da malta da primeira linha e pela miúda da lateral direita que não parava de dançar.
  • Liima: vi dois concertos na mesma semana. Sabia dos momentos Beyoncé da troca de roupa, sabia do coro da masturbação do Jónatas, sabia até que o Casper ia cantar para o meio de nós e que iam acabar com uma malha dos Abba. Mas isso não me impediu de continuar a ficar feliz da vida por ver os sorrisos na cara dos jovens a tocar.
  • Parkinsons: fui lá para fazer a sauna e o meu objetivo foi mais do que cumprido. Pessoal de São Miguel tiveram a vossa primeira aula de ginástica via Parkinsons, na próxima vão ter que treinar mais o surfada por cima do público, ok?

Tenho uns sentimentos meio misturados em relação aos concertos no Coliseu, mas Dead Combo e Boogarins a cumprir bonitinho.

Miss Red a atazanar os adolescentes que saíram de lá a lançaram-se ao chão de felicidade.

A jovem MUA Natalie Sharp AKA Lone Taxidermist a explicar-nos o que significa a loucura, a coragem, o fetiche, a extravagância, o feio, o físico, o desafio, o punk, o glam e tudo no meio. Eu só me perguntava: como é que estas camadas todas são acrescentadas? Quantas horas para sonhar um momento como este?

Flama Blanca a fazer o que ele faz melhor – FESTA – e a não esquecer o grande Shaggy, tópico de conversas de carrinha e compincha de Sting! Foi óptimo, óbvio.

Beijinho, até para o ano São Miguel.

Ah! Falta outra caixinha, a caixinha das pessoas atrás desta aventura – o António, o Gui, o Kitas, o Fua, o Márcio, o André e o Diogo, a Sara, o Hermano, a Maria e o Sr. Carlos, o Rui super voluntário, o Nuno o doce Biónico, a malta do meu hostel que me fez panquecas diferentes todas as manhãs (out of the blue hostel 5*), os queridos da Casa da Rosa que até a panicar são as pessoas mais gentis de sempre… e mais umas mãos cheias de pessoas que fazem este Tremor um sítio onde me sinto em casa.