O que tem a dizer o criador da internet sobre a crise do Facebook

Tim Berners Lee, o homem a quem habitualmente se atribui a criação da internet, foi um dos que não quis ficar de fora da onda de reações e numa tweetstorm partilhou os seus 50cents sobre o assunto.

No meio da azáfama que caracteriza cada escândalo nas redes sociais todos têm, formulam e partilham a sua opinião. Entre especialistas, jornalistas e entusiastas, surgem reações de todos os quadrantes e em todos os tons — umas mais pertinentes que noutras. Tim Berners Lee, o homem a quem habitualmente se atribui a criação da internet, foi um dos que não quis ficar de fora da onda de reações e numa tweetstorm partilhou os seus 50cents sobre o assunto, dividindo parcimoniosamente as responsabilidades entre criadores e utilizadores da World Wide Web e deixando uma mensagem de esperança sobre o futuro. 

 

Este é um momento sério para o futuro da web. Mas temos de manter a esperança. Os problemas que vemos hoje são bugs de sistema. Bugs que conseguimos atacar, contudo os bugs são criados pelas pessoas e podem ser resolvidos pelas pessoas.

É compreensível que o Zuckerberg se sinta devastado com o mau uso e abuso da sua criação (às vezes sinto o mesmo #justsaying).

Eu dir-lhe-ia: tu consegues resolver isto. Não será fácil, mas se as empresas trabalharem em conjunto com governos, activistas, académicos e os utilizadores, conseguimos garantir que as plataformas servirão a humanidade.

Regras gerais para todos nós: qualquer informação sobre o indivíduo, seja ela qual for, é apenas dele para controlar. Se é dado o direito de usar a informação para um único fim, usa-a exclusivamente para esse fim.

Se se tem acesso a informação para efeitos de investigação, é de extrema importância que seja apenas utilizada para efeitos de investigação. Muita da ciência e da medicina dependem dessa informação.

A minha mensagem para todos os utilizadores da web é: Eu posso ter inventado a web mas são vocês que fazem dela o que ela é. Cabe a todos nós construir uma web que reflita as nossas esperanças e que satisfaça os nossos sonhos, muito mais do que amplie os nossos medos e as nossas divergências.

Que podem fazer os utilizadores da web? Envolverem-se. Preocuparem-se com a sua informação. Ela pertence-vos. Se todos perdermos um pouco do nosso tempo na web para lutar pela web, acho que ficaremos bem. Digam aos representantes do governo que a vossa informação e a web importam.

E a todas as organizações de direitos digitais, sejam grandes ou pequenas e a todos os jornalistas que investigam o impacto da informação e da web no mundo — obrigado. Continuem a lutar pela web que queremos. A web não se consciencializará do seu potencial sem vocês #oneweb #foreveryone.

Para mais dos meus devaneios em como conseguir ligar toda a gente, e garantir que todos se conectam através de uma web de confiança, visitem o blog da @webfoundation: https://webfoundation.org/2018/03/web-birthday-29/

Tim Berners Lee fala com especial propriedade e conhecimento de causa — afinal de contas também ele criou algo muito maior e mais influente do que algum dia imaginara — e opta por se colocar, de certo modo, ao lado de Mark Zuckerberg, partilhando a surpresa e o sentimento de impotência que este deve ter sentido ao ver a sua engenhoca usada para este tipo de influência e apelando ao criador do Facebook para que se envolva com governos, activistas, académicos e utilizadores para que possa perceber as reais dimensões do problema.

Para além das palavras com uma certa compaixão por Zuckerberg, Tim Berners Lee, deixa ainda uma palavra de apreço para quem luta pela consciencialização sobre o lado negro da internet, incentivando todos os internautas para que continuem a lutar por uma internet livre e para todos.

Tim Berners-Lee inventou a web há 25 anos