SpaceX: da quase bancarrota à promessa de vida em Marte

O próximo sonho de Elon Musk é o esperado sonho de Marte. O foguetão enviado em fevereiro pela SpaceX tem como grande objetivo a construção de bases, capazes de garantir a sobrevivência humana, na Lua ou em Marte.

Dizer o que todos esperam ouvir é uma das melhores formas de os manter atentos. Elon Musk, dono da SpaceX, da Tesla e da The Boring Company, parece sabê-lo bem e assim alimenta a imprensa internacional sedenta de headlines que muitas vezes circunda o essencial das notícias.

Ontem, o visionário norte-americano esteve no South by Southwest (SXSW) onde respondeu a algumas perguntas da plateia e confessou o difícil ciclo de vida das suas empresas desde que foram criadas em 2002, passando pela fase em que esteve à beira da bancarrota no ano de 2008.

Elon Musk detalhou os principais momentos e volte faces que até aqui ainda não tinham sido revelados em viva voz. Musk explicou que foi com metade do dinheiro que ganhou da aquisição do Paypal pelo eBay que fundou as suas empresas — na altura 90 mil dólares, valor que não chegou para os primeiros tempos de operação.

Musk revela ainda maiores dificuldades no ano 2008, quando a SpaceX falhou o terceiro lançamento do Falcon 1 e a Tesla acelarava para a falência a 2 dias do Natal. Nessa altura, conta, tinha apenas 40 mil dólares disponíveis que não sabia em qual dos seus bebés investir.

“Quando pões energia para criar algo, é o teu bebé, eu não podia escolher. Pus o dinheiro em ambas e agradeço a Deus que ambas resultaram”

E os problemas não se ficaram por aí. Em mais uma revelação inédita, Elon Musk conta como o divórcio o abalou e chegou a ter de pedir dinheiro emprestado a amigos para pagar a sua renda. No meio de tanta reviravolta, remata “se as coisas tivessem sido só um bocadinho diferentes, ambas as empresas estariam mortas”.

Foi neste tom confessional e com esta história de superação que se passou parte do SXSW mas também houve espaço para o sonho daquele que chegou a ser inicial o engenheiro chefe da SpaceX, por não encontrar ninguém à altura do cargo pelo preço que estava disposto a oferecer.

E o próximo sonho de Elon Musk é o esperado sonho de Marte. Musk conta que se interessa pelos carros eléctricos e pelas viagens espaciais desde os tempos de faculdade, aproveitando, claro para explorar este último ponto de interesse.

Introduzindo a questão com uma referência ao icónico filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Musk diz que se questiona sobre a inexistência de hotéis no espaço como esse filme prenunciava. Quando questionado sobre o objectivo da sua empresa, é peremptório: “A génese da SpaceX não é como criar uma empresa, é como vamos tornar o orçamento da NASA maior?” É que para Elon Musk, um dos principais problemas estratégicos é a falta de investimento e progresso nessas áreas que considera essenciais.

O milionário sul-africano a viver nos Estados Unidos da América voltou a partilhar os seus medos proféticos de que uma idade negra, potenciada por uma guerra nuclear, atinja a terra e homem seja obrigado a migrar do planeta, em direcção, por exemplo a Marte. Assim, disse, a vida no Planeta Vermelho mais do que possível tornar-se-à necessária. Sobre esse assunto revelou também os planos preliminares da sua empresa de aviação espacial. Anunciou que deve começar os voos de teste para este planeta já no próximo ano, ironizando com a sua tendência para não cumprir prazos.

O objectivo final da expedição anunciada será criar uma colónia em Marte e Musk até se debruçou sobre a organização social do novo planeta, dizendo haver possibilidade de constituir uma democracia directa. Isso e um mercado interno: “Eles vão começar a construir uma base rudimentar… isto vai abrir um novo mundo de oportunidades, porque Marte vai precisar de pizza e de barras — as barras de Mars.”

SpaceX, uma empresa de sonhos

Já esta semana Elon Musk tinha voltado às notícias, desta feita por uma questão menos sensacional — a mudança de planos da sua empresa The Boring Company e do objectivo primordial dos seus túneis de circulação. Musk diz querer agora dedicar-se a optimizar o transporte de pessoas e bicicletas, deixando os carros para uma segunda fase do projecto e pensando naqueles que não os podem comprar.