O Rap podia ‘salvar’ os Estados Unidos das armas mas em vez disso…

Killer Mike, membro dos Run The Jewels, participou recentemente numa entrevista onde expressa o seu apoio à posse de armas e aborda as greves protagonizadas por estudantes em protesto contra a violência armada.

Killer Mike (Michael Render), membro dos Run The Jewels, participou recentemente numa entrevista para a NRATV, com o apresentador e activista dos direitos das armas, Colion Noir. A divulgação do primeiro excerto ocorreu no dia 22 de março, poucos dias antes da marcha #MarchForOurLives, no vídeo Mike expressa o seu apoio à posse de armas e aborda as greves massificadas protagonizadas por estudantes em protesto contra a violência armada.

O artista falou sobre os casos de violência racial que têm feito vítimas na comunidade afro-americana para solidificar a sua posição e declarou-se a favor da posse de armas de fogo. Recorrendo à história, classificou as armas como um objecto de segurança para que afro-americanos se defendam da opressão recorrente contra as minorias nos Estados Unidos.

“Eu disse aos meus filhos acerca da greve da escola: ‘Eu amo-te, mas se saíres da escola, sais da minha casa…’ Não somos uma família que segue tudo o que os nossos aliados fazem, até porque não concordamos com algumas coisas.”

Declarações infelizes, que isoladas, se tornaram pólvora para as redes sociais. Após divulgado o vídeo, começou a inundação de críticas online. Mike viu-se obrigado a responder através de uma série de vídeos e pedidos de desculpa no Twitter, escrevendo que o vídeo foi “utilizado de maneira errada”. Porém o seu contributo para estereotipar ainda mais a cultura afro-americana foi infelizmente bem sucedido e a necessidade de ter uma arma para reivindicar direitos não ecoa como um discurso encorajador.

“Sinto muito que uma entrevista onde falei sobre uma minoria e os direitos de armas tenha sido usada como uma arma contra vocês.”

El-P, a outra metade dos Run The Jewels, embora não partilhe da mesma opinião do parceiro, promete “não virar as costas” ao companheiro e amigo, que descreve como sendo “uma boa pessoa.”

No dia 27 de março a NRATV finalmente partilhou a entrevista completa, com 42 minutos. Após a divulgação, Killer Mike aproveitou para apontar a “arma” às redes sociais e a0s críticos de teclado, aconselhando os seus seguidores a ver a entrevista na íntegra e não saltar directamente para conclusões precipitadas.

O rapper acrescentou ainda “Obrigado a todos que mantiveram a ‘Fé’ em mim. As palavras foram lidas e o amor foi sentido. Para quem gritou “enforca-o”, eu nunca vou esquecer também.”

Para a história fica o aproveitamento da NRATV de um excerto fora do contexto para despoletar uma onda crítica e reforçar preconceitos numa sociedade polarizada. Num dos vários vídeos de resposta, Killer Mike, reiterou o seu apoio à marcha organizada por jovens e aludiu a Martin Luther King para explicar a sua posição e intenção — interpretada de uma forma totalmente oposta pela maioria.