Como assim, o Presidente Marcelo tem conta no Instagram?

Nem tudo o que parece é. Como identificar uma conta falsa nas redes sociais? E o que fazer?

Há dias passeava pelo Instagram quando vejo uma selfie do Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman com a Rita Red Shoes e o Presidente Marcelo. Reparei que havia um tag a uma conta @presidentemarcelo – e fiquei curiosa. Da última vez que tinha verificado, o nosso Presidente da República não tem presença oficial nas redes sociais. Com pena minha, pois julgo que seria imbatível no Twitter ou até no Snapchat, pela (híper)actividade da sua agenda.

Cliquei no link e eis que me surge esta conta:

A conta não tem sinal de verificada (ao contrário, por exemplo, da conta do primeiro-ministro António Costa ou do Cristiano Ronaldo). Pesquisando no site da Presidência não encontramos qualquer sinal da existência de redes sociais oficiais. Em que ficamos?

Pessoas como o Presidente Marcelo, o Nuno Markl, o Cristiano Ronaldo, a Carolina Patrocínio, a Sara Sampaio ou até marcas como o Lidl ou o Continente podem ver a sua identidade utilizada em contas falsas; contas que não geridas pelos próprios nem pelos seus representantes. É fácil: sacamos uma fotografia da Internet e abrimos um perfil no Instagram, uma página no Facebook e uma conta no Twitter. Sim, é possível. Depois alguém – o visado ou pessoas que reconhecem que a conta não é do próprio, podem reportar. Podem e devem.

Como identificar uma conta falsa nas redes sociais? E o que fazer?

1 – Tem sinal de verificado?

O sinal de verificado é aquele ícone azul que encontramos a seguir ao username da pessoa ou marca. É a rede social que atribui esse sinal, a pedido dos próprios ou por reconhecer a sua importância para a comunidade.

Pode acontecer que uma conta seja verdadeira – entenda-se, pertence ao próprio – e não tenha o sinal azul. Acontece, por exemplo, com o rei do Instagram em Portugal, o Herman José. Neste caso, o que nos garante que a conta é gerida pelo artista são os conteúdos, bem como o facto da conta estar ligada ao seu website.

2 – Mas ali está escrito oficial

Até pode estar escrito oficial e a conta não ser a do próprio. Oficial é uma palavra e, por si, vale tanto como qualquer outra.

3 – “Pelo texto e pelas fotografias até parece ser mesmo a conta do Presidente”

Pode acontecer, sim. A conta até parece ser mesmo “a sério”. Mas hoje em dia é fácil obter fotografias de figuras públicas, nos mais variados eventos, saber do que se trata e imaginar um texto que acompanhe esse conteúdo.

Acontece com uma página, no Facebook, associada ao Primeiro-ministro António Costa. Ao pesquisar surgem dois resultados: uma das contas está inactiva desde Fevereiro de 2016 e desde Junho de 2014. Contudo, nenhuma delas é referida no site do Governo, onde só encontramos link para o Twitter. Portanto, nenhuma das páginas de Facebook que encontramos poderá ser considerada uma fonte fiável para sabermos o que faz, o que pensa ou o que partilha António Costa. Se queremos saber isso, o melhor mesmo é seguir o Primeiro-ministro no Twitter ou no Instagram (esta conta não está linkada no site, mas tem o símbolo de verificada).

4 – O que fazer quando encontro uma conta que é falsa?

Ao encontrarmos uma conta falsa, devemos reportar ao próprio ou à rede social onde a conta está registada.

As redes sociais são feitas de e para pessoas. Cada um deverá cuidar da rede e daquilo que por lá se partilha. É possível reportar a conta argumentando que está a ser utilizada a identidade que pertence a outra pessoa, por exemplo. Ou avisar o próprio de que isso está a acontecer, para que possa também reportar.

Assim sendo, quem avisa o Presidente Marcelo que há uma conta no Instagram com o seu nome e imagem? Já para não falar nas contas no Twitter…