Prémios Sophia: porque o cinema em português também conta

Realizou-se ontem a 6ª edição dos Prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. 'São Jorge' de Marco Martins foi o grande vencedor da noite.

Se falamos de Óscares, por que não falar das criações portuguesas? O Dolby Theatre em Los Angeles é o Casino do Estoril ali na linha, Jimmy Kimmel foi Ana Bola, há menos burburinho mediático, menos passadeira vermelha, menos convidados e menos prémios mas o mesmo cinema.

O filme São Jorge de Marco Martins liderava as nomeações, concorrendo em 14 das 22 categorias, pelo que o seu triunfo não surpreendeu os mais atentos. Venceu em 7: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor, Melhor Actor Secundário, Melhor Argumento Original, Melhor Fotografia e Melhor Direcção Artística. 

Nuno Lopes, vencedor do Sophia de Melhor Actor, fez um dos discursos mais políticos da noite, sobre o tão falado tema (mas tão necessário) da contínua falta de apoios à cultura, em especial ao cinema português. Na cultura portuguesa “os anos da crise ainda não passaram”“Continuamos a ser desrespeitados constantemente nos atrasos dos concursos e na forma pouco clara como são atribuídos”, disse, referindo-se os concursos de apoio ao cinema e audiovisual de 2018 que ainda não abriram.

Peregrinação de João Botelho venceu três Sophias (Melhor Maquilhagem e Cabelos, Melhor Efeitos Especiais/Caracterização e Melhor Guarda-Roupa), A Fábrica de Nada de Pedro Pinho arrecadou dois Sophias (Melhor Argumento Adaptado e Melhor Montagem) e Uma Vida à Espera também levou para casa dois Sophias (Melhor Actriz Secundária e Melhor Canção Original). Al Berto venceu o Sophia de Melhor Som e Fátima o Sophia de Melhor Actriz (Rita Blanco). Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo venceu o prémio de Melhor Documentário e O homem eterno, de Luís Costa, foi a melhor curta-metragem documental.

O Sophia de melhor curta-metragem de ficção foi para Coelho Mau, de Carlos Conceição, e o de curta de animação distinguiu A Gruta de Darwin, de Joana Toste. O Sophia de melhor série televisiva foi para Madre Paula, exibida na RTP.

A Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda três prémios de carreira à caracterizadora Ana Lorena, ao realizador e ensaísta Lauro António e ao realizador Artur Correia, recentemente falecido.

Nomeados

Melhor Filme
São Jorge, de Marco Martins
Melhor Realizador
Marco Martins, por São Jorge
Melhor Ator
Nuno Lopes, em São Jorge
Melhor Atriz
Rita Blanco, em Fátima
Melhor Ator Secundário
José Raposo, em São Jorge
Melhor Atriz Secundária
Isabel Abreu, em Uma Vida à Espera
Melhor Argumento Original
Ricardo Adolfo e Marco Martins, por São Jorge
Melhor Argumento Adaptado
Pedro Pinho, Luisa Homem, Leonor Noivo, Tiago Hespanha, por A Fábrica de Nada
Melhor Fotografia
Carlos Lopes, por São Jorge
Melhor Som
Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov, por Al Berto
Melhor Montagem
Cláudia Oliveira, Edgar Feldman, Luísa Homem, por A Fábrica de Nada

Melhor Maquilhagem e Cabelos
Rita Castro, Felipe Muiron, por Peregrinação
Melhor Direção Artística
Wayne dos Santos, por São Jorge
Melhor Efeitos Especiais/Caracterização
Nuno Esteves “Blue”, por Peregrinação
Melhor Guarda-Roupa
Joana Veloso, por Peregrinação
Melhor Banda Sonora Original
Rita Redshoes & The Legendary Tigerman, por Ornamento e Crime
Melhor Canção Original
“Fim”, composição e interpretação Lúcia Moniz – Uma Vida à Espera
Melhor Documentário
Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro
Melhor Série/Telefilme
Madre Paula
Prémio Sophia Estudante
Snooze, de Dinis Leal Machado – ESMAD
Melhor Curta-Metragem de Ficção
Coelho Mau, de Carlos Conceição
Melhor Curta-Metragem de Animação
A Gruta De Darwin, de Joana Toste
Melhor Documentário em Curta-Metragem
O Homem Eterno, de Luís Costa
Prémios Sophia Carreira
Lauro António
Ana Lorena
Artur Correia