O plástico que dá à costa nas praias “paradisíacas” do mundo

O mergulhador Rich Horner publicou um vídeo no Facebook onde mostrou a situação preocupante em Bali. Em Portugal, os números de lixo no mar também são preocupantes.
plástico praias paradisíacas

Quando imaginamos as praias de Bali é possível que a palavra “paraíso” seja das primeiras a passar-nos pela cabeça. Porém, o que a maré trouxe até à costa no início do mês criou um cenário ligeiramente diferente.

“Um belo presente de medusas, plankton, folhas, ramos, plantas, paus, etc… Ah, e algum plástico. Alguns sacos de plástico, garrafas de plástico, copos de plástico, toalhas de plástico, baldes de plástico, saquetas de plástico, palhinhas de plástico, sacos de plástico, mais sacos de plástico, plástico, plástico, tanto plástico.”

É o que escreve o mergulhador Rich Horner no Facebook, onde também publicou um vídeo onde é possível verificar que não, não estava a exagerar.

No dia seguinte a corrente já tinha levado tudo consigo outra vez de volta ao Oceano Índico. Esta é uma viajem que começa quando o lixo da rua passa para os sistemas de drenagem das cidades, quando os temporais arrastam lixo para os rios ou quando este é despejado directamente no mar. Pelo caminho vão-se transformando em pedaços cada vez mais pequenos que vão interferindo na vida marinha das mais variadas formas até originarem os microplásticos que acabam por passar para a cadeia alimentar e inevitavelmente chegam ao nosso prato.

Parte da campanha Clean Seas das Nações Unidas, o governo do arquipélago da Indonésia, segundo maior poluente marinho (depois da China), comprometeu-se a uma redução de 70% até 2025. Com um investimento anual de 1 mil milhões de dólares, as medidas passam pelo uso de materiais biodegradáveis como alternativa, taxas sobre os sacos de plástico e uma campanha de educação da população.

Em Portugal

Em 2016 foi divulgado o primeiro estudo sobre o lixo marinho flutuante na Zona Económica Exclusiva portuguesa. A recolha de dados foi feita no Verão de 2011 por uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro e registou mais de 750 mil objectos flutuantes com mais de 2 centímetros.

O plástico é, claro, o principal culpado; seguido da esferovite, restos de materiais de pesca, papel, cartão e pedaços de madeira.

Sara Sá, a investigadora responsável pelo estudo explica que o problema não se fica por aqui – “grande parte do lixo permanece na coluna de água [situada abaixo da superfície] ou deposita-se no fundo do mar, pelo que a quantidade de lixo na superfície do mar não representa a ameaça completa”. Além disso, “grandes quantidades de resíduos à superfície podem estar fragmentadas em pedaços tão pequenos que não são captados pelas análises convencionais”.

Ao analisar os dados do estudo feito pela Seas at Risk acerca do uso de plásticos de uso único e a vida marinha, a Quercus alerta para os números nacionais anuais:

721 milhões de garrafas de plástico
259 milhões de copos de café
1 milhar de milhões de palhinhas
40 milhões de embalagens de fast food
10 mil milhões de beatas de cigarro

No mesmo artigo é referido que o uso de sacos de plásticos leves (com espessura <5mm) diminuiu substancialmente, mas que o uso diário de garrafas e copos de plástico continua banalizado; uma solução possível seria estender a Directiva Europeia dos sacos de plástico a outros produtos descartáveis.

A nível individual é preciso aprender a dizer que não aos descartáveis e a tomar iniciativa própria. Cada um saberá a melhor forma de contribuir para reduzir o seu consumo de plástico de uso único.

 

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