Portugal tem alternativa: 5 projectos de comunicação social diferentes e independentes

É recorrente lermos e ouvirmos críticas à comunicação social portuguesa. É possível fazermos algo: apoiar as alternativas.

Foto de Branden Harvey via Unsplash, adaptada por Shifter

Conhecemos o Público, o Expresso, o Observador, a RTP, a SIC Notícias… e por aí fora. Mas ao mesmo tempo que estes órgãos de comunicação social lutam pela sua sobrevivência, existem novos meios a surgir e cuja luta é um bocadinho diferente. São vozes independentes, que querem ser uma alternativa à imprensa tradicional, longe de poderes políticos e económicos.

É recorrente lermos e ouvirmos críticas à comunicação social portuguesa – que é sensacionalista, que aposta no clickbait, que propaga desinformação… Mas, mais que criticar, é possível fazermos algo. Podemos criar um novo órgão de comunicação social ou, mais facilmente, apoiar projectos que tentam fazer aquilo que apelidamos de “bom jornalismo”.

Nesta lista, destacamos 5 órgãos de comunicação social alternativos em Portugal, para que possas saber da oferta que existe e escolher aqueles que mais te interessam de seguir.

1 – É Apenas Fumaça

Um grupo de jovens decidiu juntar-se e criar um projecto de media onde “se fala sobre a sociedade com quem quer falar sobre ela”. Assim nasceu o É Apenas Fumaça, um conjunto de entrevistas, conversas e reportagens em que o objectivo é “dar voz a quem não a tem e escrutinam os assuntos aos quais não é dado espaço pelos media tradicionais”.

“Somos independentes, porque as nossas escolhas editoriais não dependem de nenhuma força externa e porque não dependemos de qualquer tipo de financiamento privado. Somos progressistas, porque acreditamos no progresso social e que toda a gente deve ter direitos humanos assegurados e necessidades básicas garantidas. Somos dissidentes, porque acreditamos que o papel do jornalismo é escrutinar a democracia e não o tem feito. Questionamos as decisões tomadas, responsabilizamos os representantes, e damos voz aos representados.”

Imigração, gentrificação e habitação, serviço nacional de saúde, direitos dos animais e veganismo, pobreza e desigualdade, saúde mental, democracia em Angola, pobreza e desigualdade, feminismo, racismo, brutalidade policial… são alguns dos temas abordados desde Junho de 2016, quando o É Apenas Fumaça foi lançado. José Sócrates, Ricardo Araújo Pereira, Daniel Oliveira, Luaty Beirão, Mariana Mortágua, o João d’Os Truques da Imprensa Portuguesa, Francisco Louçã, Alexandre Farto (aka Vhils) e B Fachada são algumas das personalidades que vais imediatamente reconhecer ao navegares pelo arquivo do É Apenas Fumaça, ao lado de outros nomes não tão mainstream mas igualmente relevantes.

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2 – Divergente

Propõem-se a “explorar os silêncios do mundo contemporâneo e traduzi-los em formatos narrativos inovadores”,  trabalhando “fora dos cânones que hoje regem as redacções de media tradicionais, maioritariamente focadas na comercialização de conteúdos”. A Divergente é um projecto de jornalismo de investigação, uma espécie cada vez mais em vias de extinção. Por isso, a regularidade do trabalho que publicam é menor.

Desde que a Divergente foi lançada, produziram três peças: uma sobre Jó, uma mulher transexual que, com 14 anos, fugiu de casa para poder ser ela própria e viver livre, sem saber ainda que isso significaria uma luta sem fim (uma reportagem multimédia publicada entretanto no Público); outra que denuncia Portugal como a principal porta de entrada na Europa de jogadores de futebol menores vindos de África e da América Latina (um trabalho que recebeu dois prémios de jornalismo, um deles da AMI); e outra ainda sobre a luta desigual travada pelos habitantes de Elalab contra a subida do nível do mar e o aquecimento global.

“A Divergente é uma publicação multimédia de jornalismo de investigação. Reivindicamos tempo para pensar, aprofundar e contextualizar.”

A Divergente pertence à Bagabaga Studios, uma cooperativa que, segundo ela própria, se dedica à produção de narrativas multimédia e que procura desafiar as fronteiras convencionais do cinema documental, do design e do jornalismo.

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3 – Jornal Mapa

Trimestralmente, há um novo número do Jornal Mapa para ler, em PDF ou papel. São 48 páginas daquilo a que o colectivo responsável por esta publicação apelida de “informação crítica” – notícias, reportagens, crónicas e ilustrações que procuram desafiar a liberdade de pensamento e análise dos seus leitores, em vez de estebelecerem de ante-mão determinadas orientações ideológicas que condicionem as suas opiniões. No fundo, o Jornal Mapa quer apenas informar e deixar tudo o resto (o espírito crítico) para quem o lê.

Com a ajuda de uma campanha de crowdfunding lançada em meados de Janeiro, o Jornal Mapa conseguiu captar mais de 6 mil euros que vão ajudar a financiar a sua actividade neste 2018, garantindo, no entanto, que esse valor está abaixo dos custos reais do projecto e que são o “limite inferior que garante a nossa sobrevivência e nos permitem planear, de forma confortável e segura, o futuro económico do projeto sem interromper a publicação do jornal”. Querem continuar a contar com a ajuda de todos, através da adição de novos pontos de distribuição do Mapa de norte a sul do país, bem como da captação de novos assinantes.

“O Mapa é uma ferramenta na divulgação das ideias e dos debates que se desenvolvem em torno de lutas sociais, ambientais e económicas, que nascem na sociedade portuguesa e no resto do mundo.”

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4 – Qi News

A sua base é o vídeo. Da autoria de António Castelo, um filmmaker freelancer, o Qi News é um projecto de media que recorre ao estilo documental para “dar voz às lutas diárias dos portugueses e de cidadãos de outras nacionalidades que não a têm, e questionamos o estado actual das coisas”. O Qi News diz-se descomprometido de qualquer tipo de poder ideológico e acredita que as notícias ainda detêm o poder de inspirar a participação que é necessária para uma sociedade mais justa e mais humanamente produtiva.

O Qi News já experimentou produzir vídeos que sintetizam e analisam dados, por exemplo, sobre a educação na Finlândia, e pequenos explicadores, que esclarecem, por exemplo, a limpeza étnica levada a cabo pela Rússia na península ucraniana da Crimeia; mas ultimamente António Castelo tem estado mais focado em fazer reportagens e lançar séries documentais. No site e canal de YouTube do projecto, é possível encontrar desde uma visita à Cova da Moura a uma entrevista a uma investigadora sobre a seca que assolou e assola o nosso país, mas também testemunhos na primeira pessoa sobre a integração das comunidades ciganas ou uma peça sobre a subida do preço do lítio (presente nas baterias dos nossos telemóveis, carros, etc) em Portugal.

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5 – O Corvo

Informação local é importante para que possamos compreender o que se passa à nossa volta e participar na comunidade. Há várias formas de acompanhar a actualidade de Lisboa, mas nenhuma delas se equipara a‘O Corvo. Criado em 2013 pelo jornalista Samuel Alemão e sediado na Noticiaria, a primeira incubadora para projectos de comunicação social, O Corvo reinventa o noticiário local, procurando, através da tecnologia, fomentar a participação activa dos cidadãos na cidade onde habitam ou trabalham. Pauta-se pela produção de conteúdos próprios e originais, geralmente reportagens de profundidade que procuram proporcionar o debate e cobrir temas como ambiente, transportes, habitação, espaço público e património.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

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Cinema e música

Na área cultural, são muitos os projectos que podemos encontrar no online português. Alguns deles são dedicados exclusivamente a cinema, outros falam de música, outros ainda misturam os dois tópicos. Como esta é uma área tão subjectiva (na verdade, há autores cujos textos preferimos a outros) e onde o contraste de opiniões nos permite fazer melhores escolhas entre um filme ou um álbum e outro, decidimos destacar não um media cultural, mas uma lista de cinco por onde costumamos navegar: