Notícias falsas espalham-se mais rápido online que as verdadeiras

Notícias verdadeiras demoraram 6 vezes mais que as falsas a espalharem-se no Twitter, diz um grande estudo do MIT.

notícias falsas fake news online
Foto de Roman Kraft via Unsplash

Uma análise a notícias partilhadas no Twitter por três milhões de pessoas entre 2006 e 2017 mostra que as notícias falsas (ou fake news) importam mais que a verdade nas redes sociais. “O que descobrimos é assustador”, diz Sinan Aral, investigador do MIT que coordenou o estudo. “As notícias falsas viajam mais longe, mais rápido, de forma mais profunda e mais amplamente do que a verdade, em todas as categorias de informação.”

A conclusão não é propriamente surpreendente se olharmos para as nossas experiências pessoais e para a forma como as notícias se espalham nas redes sociais. Muitas vezes importam mais os headlines que o corpo dos artigos. São esses títulos – cada vez mais criados com afirmações que ou confirmam posições unânimes ou as refutam totalmente – que de modo frequente geram efusivas discussões online (retweets, respostas, partilhas e comentários…). Dado o carácter instantâneo das redes sociais, resta pouco espaço para o aprofundamento dos assuntos, para a reflexão séria e ponderada, para a contra-argumentação.

Sinan Aral e os seus colegas no Massachusetts Institute of Technology (MIT) cruzaram a propagação de 126 mil histórias no Twitter com um banco de dados de histórias verificadas por seis organizações independentes, incluindo a Snopes, a Politifact e o Factcheck. Os investigadores notaram que as notícias verdadeiras demoraram 6 vezes mais que as falsas a espalharem-se no Twitter, num universo de 1500 pessoas, e ainda que a probabilidade de uma fake news ser retweetada era 70% superior. Na amostra estudada, a notícia falsa que se tornou mais viral tinha natureza política.

A equipa do MIT teve em consideração a idade das contas de Twitter, o seu nível de actividade e o número de seguidores. O estudo determinou que os bots não são os únicos culpados pela propagação de notícias falsas, apesar da crença pública do contrário. Aral e os seus colegas identificaram alguns bots na análise que fizeram (e removeram-nos da base de dados de análise) e, apesar de notarem que os mesmos espalhavam fake news, é de notar que também partilhavam conteúdo verdadeiro.

Sinan Aral e os seus colegas do MIT (DR)

De acordo com Aral, as pessoas partilham desinformação por uma variedade de razões, sendo uma das principais as suas reacções emocionais, quer de surpresa, quer de repúdio, a determinadas coisas. Para provar um ponto ou para reforçar a sua bolha ideológica, as pessoas partilham fake news mesmo em cenários em que sabem que estas não são totalmente verdadeiras. Ou, lá está, porque o headline afirma algo que querem que os seus seguidores oiçam.

O relatório completo do estudo, levado a cabo por investigadores do MIT, está publicada na revista científica Science.