Esquece os suplementos, música é a melhor droga para fazer exercício

Músicas rápidas com batidas fortes são particularmente estimulantes, por isso são frequentemente encontradas nas playlists de ginásio das pessoas.

Dylan Nolte/Unsplash

Muitos não precisam de provas científicas para saber que se exercitar sem música pode ser a pior coisa do mundo. A música distrai, estimula, enfim, torna todo o processo (chato e cansativo para alguns) mais tolerável.

No entanto, o papel da música no exercício físico vai muito para além disso. Tanto que a USA Track & Field, órgão americano que regula corridas de longa distância, proibiu o uso de phones de ouvido em competições que envolvem prémios ou dinheiro, para “garantir a segurança e evitar que os corredores tenham qualquer vantagem competitiva”.

É isso mesmo – nos últimos 10 anos, diversas pesquisas sobre música e exercício levaram os psicólogos a concluir que o som pode ser uma peça fundamental no estímulo à actividade física. Num estudo de 2012, Costas Karageorghis da Universidade Brunel, em Londres, um dos maiores especialistas do mundo em psicologia da música no exercício, escreveu que poderíamos pensar na música como “um tipo de droga para melhorar o desempenho físico”.

A combinação é eficaz para muitas pessoas. A música muda o corpo e a mente durante o esforço físico: distrai as pessoas da dor e fadiga, eleva o humor, aumenta a resistência, reduz o esforço e pode até promover a eficiência metabólica. Ao ouvir música, as pessoas correm mais, pedalam mais, nadam mais rápido do que o habitual – muitas vezes sem se aperceberem.

E como a música ajuda? Com o ritmo, a cadência, as letras. Devemos considerar também as memórias, emoções e associações que canções diferentes evocam. Para algumas pessoas, o modo com que se identificam com o estado emocional e ponto de vista do cantor determina o quanto se sentem motivadas.

Factos Científicos

A pesquisa sobre a interação da música com o exercício remonta pelo menos a 1911, quando o americano Leonard Ayres descobriu que os ciclistas pedalavam mais rápido enquanto uma banda tocava no fundo do que quando os arredores estavam silenciosos. Desde então, os psicólogos conduziram centenas estudos sobre a música e o desempenho das pessoas em uma variedade de atividades físicas.

Que tipo de música desperta este instinto varia de cultura para cultura e de pessoa para pessoa. Para fazer algumas generalizações, músicas rápidas com batidas fortes são particularmente estimulantes, por isso são frequentemente encontradas nas playlists de ginásio das pessoas.

Numa pesquisa recente feita com 184 estudantes universitários, por exemplo, os tipos mais populares da música para exercício foram hip-hop (27,7%), rock (24%) e pop (20,3%).

Alguns psicólogos sugerem que as pessoas têm uma preferência inata por ritmos com uma frequência de dois hertz, o que é equivalente a 120 batidas por minuto (bpm), ou duas batidas por segundo. Quando pesquisadores pediram a participantes para bater seu pé no chão ou andar, muitos inconscientemente mantiveram um ritmo de 120 bpm. Uma análise de mais de 74 mil canções populares produzidas entre 1960 e 1990 também constatou que 120 bpm foi o ritmo mais prevalente. Ao correr numa passadeira, no entanto, a maioria das pessoas parece favorecer música entre os 160 bpm e os 180 bpm.

Num estudo de 2012 da Universidade Sheffield Hallam (Reino Unido), os participantes que pedalaram no ritmo de uma música necessitaram de 7% menos oxigênio para fazer o mesmo treino que ciclistas que não sincronizaram seus movimentos com uma música de fundo.

A música, ao que parece, pode funcionar como um metrônomo, ajudando as pessoas a manter um ritmo constante, reduzindo passos em falso e diminuindo o gasto energético.