Aumentou um medicamento 5000%, comprou o único disco dos Wu-Tang, agora vai preso

Martin Shkreli era apenas um jovem empresário da indústria farmacêutica até 2015. Mas tornou-se mundialmente famoso e odiado.

Martin Shkreli Prisão

Ficou conhecido como o “Pharma Bro”, apesar de a sua acção ser tudo menos fraternal e digna de um irmão. Martin Shkreli tornou-se uma estrela da internet no universo da farmácia, chegou a aderir à moda dos livestreams infinitos enquanto jogava xadrez e agora… acabou condenado a 7 anos de prisão.

Martin Shkreli era apenas um jovem empresário da indústria farmacêutica até 2015. Num bold move, adquiriu um medicamento pouco comum mas indispensável para a vida de pessoas com imunodeficiência e resolveu aumentar o seu preço em 5000% – de 12 para 655 euros –, tornando-se mundialmente famoso e odiado. O ódio sustentava-se na postura de Shkreli, exclusivamente interessado no lucro e insensível ao facto de grande parte dos utilizadores de Daraprim, o medicamento, não conseguirem comprá-lo este novo preço. Mas isso nem teve peso na sua condenação.

As mentiras de Martin Shkreli

Shkreli foi condenado na sequência de uma acusação que se debate desde Julho do ano passado. O jovem empresário, agora com 34 anos, foi considerado culpado por ter mentido a investidores, fazendo-os acreditar que geria 125 milhões de dólares quando na verdade era apenas 1 milhão.

Apesar de a prática de Shkreli ter sido considerada fraudulenta, em tribunal, as testemunhas – investidores, vítimas do esquema – revelaram ter lucrado com o esquema. A acusação considerou, então, que Martin Shkreli construiu um esquema de Ponzi, utilizando o dinheiro de investidores para construir uma empresa com que posteriormente lhes pagou. A agravar a acusação estiveram documentos apresentados em tribunal, que relatavam as mentiras de Shkreli em todos os capítulos da sua acção – desde o valor do seu fundo até a questões relacionadas com a sua performance nos índices financeiros como a Standards & Poors.

Disco confiscado

Há menos de uma semana, Shkreli já tinha sido notícia por um outro motivo. Na altura, o tribunal responsável pela sua condenação confiscou-lhe o raríssimo disco dos Wu-Tang Clan, que o farmacêutico teria comprado por cerca de 2 milhões de dólares – outro dos feitos que lhe valeu a atenção do público.

Em tribunal e após várias alegações, Shrkeli acabou por confessar o dolo da sua estratégia e se revelar arrependido e envergonhado, pedindo desculpa aos investidores por ter abusado da sua confiança. A defesa ainda tentou utilizar a estratégia “no harm, no foul”, valendo-se das testemunhas que confirmavam não ter perdido dinheiro com os esquemas de Shkreli, mas a história tornou-se de tal forma caricata e complexa que o único desfecho válido para os procuradores seria a sua prisão.

Uma publicação no Facebook sobre Clinton

Nas primeiras sessões do julgamento, Shkreli viu o juiz conceder-lhe a possibilidade de pagar uma fiança de 5 milhões de dólares, algo que foi revogado logo dias depois, devido a uma publicação que Martin fez no Facebook, em que oferecia 5 mil dólares por uma madeixa do cabelo de Hillary Clinton. O post, feito no dia 4 de Setembro, visto como incentivo a crimes contra a integridade fisica da candidata a presidente dos Estados Unidos foram a gota de água para os juizes do processo.

“The Clinton Foundation is willing to KILL to protect its secrets. So on HRC’s book tour, try to grab a hair from her. I must confirm the sequences I have. Will pay $5,000 per hair obtained from Hillary Clinton.” – Martin Shrkeil, no Facebook

No total, e fruto do processo, foram confiscados mais de 7,6 milhões de dólares em activos do empresário, entre os quais o referido disco dos Wu-Tang Clan, um quadro de Pablo Picasso e um outro registo de rap inédito, Tha Carter V, uma edição única de Lil Wayne.

Quanto à defesa da sua publicação no Facebook, a defesa de Martin Shkreli optou por comparar as afirmações de Martin com o que tem sido consecutivamente por Donald Trump. De resto, todas as motivações acabaram por ficar por terra e por se esvair nas lágrimas de Shkreli enquanto confessava os crimes, assumia a culpa e desconstruia o mito que havia criado de que tudo seria um complô contra si.