Malala Yousafzai regressa ao Paquistão, seis anos depois de ter sido atacada

A activista paquistanesa vencedora do Nobel da Paz em 2014 não ia ao país de origem desde que foi baleada na cabeça a caminho da escola em 2012.

Malala Yousafzai Paquistão

A televisão local mostra o aparato policial que acompanhou a chegada de Malala Yousafzai à capital do Paquistão, Islamabad. Com os pais, e sob fortes medidas de segurança, a jovem activista paquistanesa saiu numa escolta de 15 veículos, muitos deles ocupados por polícias fortemente armados. Os detalhes da visita foram mantidos em segredo, “devido à sensibilidade” da situação, referiu há uns dias fonte oficial à France Presse. Tudo porque o país que viu nascer aquela que se tornou uma das maiores vozes pelos direitos dos paquistaneses, ainda vive sob ameaça iminente daqueles que em 2012 a tentaram calar.

Malala Yousafzai escrevia desde 2009, com 11 anos, sob anonimato, um diário para a BBC sobre a sua vida no regime talibã. No verão seguinte, o New York Times publicou um documentário sobre o quotidiano de Malala à medida que o exército paquistanês tentava tomar conta da região. A popularidade de Malala aumentou consideravelmente, dando entrevistas na imprensa e na televisão e sendo nomeada para o prémio internacional da Criança pelo activista sul-africano Desmond Tutu.

Em Outubro de 2012, foi baleada quando ia a caminho da escola. Na altura, o porta-voz do grupo armado reivindicou o ataque, justificando que a jovem era um símbolo dos infiéis e de obscenidade, uma ameaça contra o Islão.

Após ter recuperado da agressão tornou-se uma inspiração para a luta pelo direito à educação e pelo respeito dos direitos humanos. Vive actualmente no Reino Unido, onde estuda em Oxford, mas sempre sonhou voltar ao seu país e viver livremente: “Acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém”. Agora cumpre uma vista de quatro dias e deverá ser recebida ainda hoje pelo primeiro-ministro paquistanês, Shahid Khagan Abbasi. Espera-se uma visita recheada de eventos de promoção do direito das crianças à educação, luta que lhe tem valido aclamação internacional e alguns dos mais importantes prémios humanitários do mundo.

Em 2014, tornou-se a pessoa mais jovem de sempre a receber um Nobel, quando foi escolhida pelo comité organizador para dividir o prémio Nobel da Paz com o indiano Kailash Satyarthi. Venceu também o Prémio da Paz para a Infância, o prémio Anna Politkovskaya, o Prémio Sakharov de Direitos Humanos e a Medalha da Liberdade, do Centro Nacional Constitucional, dos EUA. Em 2017, recebeu cidadania honorária canadiana das mãos do Primeiro-Ministro do Canadá, Justin Trudeau. Foi a pessoa mais jovem a receber a distinção, oferecida a nomes como Nelson Mandela e Dalai Lama, e a discursar para membros do Parlamento e senadores canadianos, numa sessão conjunta.