2ª edição do Festival Política traz de volta cinema, debates e workshops relevantes

Arte e activismo, justiça e racismo, humor e deputados, luta de classes e orquestras, debates e palestras e até um fado bicha. Porque tudo é política.

Festival Política 2018

Depois de uma primeira edição no ano passado, o Festival Política regressa a Lisboa e ao Cinema São Jorge. Cinema, debates, concertos, workshops e actividades para crianças fazem parte da programação que convida a repensar a sociedade actual e os moldes em que exercemos a nossa cidadania. Depois da problemática da abstenção ter dado o mote para a edição de 2017, este ano a tónica está nas questões da igualdade e da não-discriminação.

A 2ª edição do Festival Política acontecerá de 19 a 22 de Abril e abrirá com o filme The Death of Stalin, do realizador britânico Armando Ianucci, que relata de forma burlesca os conflitos entre o círculo próximo de Estaline após a sua morte, em Maio de 1953. A sua exibição foi proibida na Rússia, mas vai acontecer por cá, às 21h30.

The Death of Stalin, de Armando Ianucci, vai abrir a 2ª edição do Festival Política

Arte e activismo, justiça e racismo, humor e deputados, luta de classes e orquestras, debates, palestras e até um fado bicha. Porque tudo é política, tudo isto e muito mais caberá no Festival Política. Destaque para uma pequena programação curada pelo Canal 180 a propósito da edição passada do 180 Creative Camp. e para um debate promovido pelo É Apenas Fumaça. Podes conhecer a agenda completa mais em baixo.

Em permanência no Cinema São Jorge estará, durante os quatro dias do evento, uma exposição intitulada “Libertador Dispensado” da autoria de Nuno Bettencourt e de Ruy Otero, bem como uma vídeo-instalação, “Grândola RMX”, de João Meirinhos.

Resta dizer que o Festival Política é gratuito, mas limitado à capacidade de cada sala ou, no caso dos workshops, ao número de vagas dos mesmos. Para as sessões de cinema e música, será sempre necessário o levantamento de bilhetes.

Programação de 19 de Abril

17h30 / Sala 2 – Debate: a justiça é racista

A partir de casos judiciais que têm tido cobertura mediática e a par da análise de situações vividas no quotidiano, procuramos responder às seguintes questões: a legislação portuguesa garante uma protecção eficaz contra o racismo e a xenofobia? Porque razão quem nasce em Portugal não é automaticamente português? As instituições são eficientes a combater a não-discriminação no exercício de direitos por motivos baseados na raça, cor, nacionalidade ou origem étnica?

18h30 / Sala 3 – Arte x Política x Canal 180

Se não vais até ao 180 Creative Camp, o 180 Creative Camp vem até ti. Serão exibidos três filmes que decorreram da edição de 2017 deste campo de férias, com a presença de Thomas Mandl, fotógrafo e activista organizador do encontro What Else Europe.

  • Thoughts on Collectivism: uma reflexão sobre os direitos e políticas sociais, as suas exigências, comportamentos enquanto utilizadores de serviços e plataformas digitais e as inerentes questões de ética que se levantam quando somos produtos e produtores dos mesmos. Filmado durante o festival TodaysArt 2018, em Den Haag, Holanda;
  • Life Beyond Our Screens: sete dias passados no 180 Creative Camp na companhia de estranhos que rapidamente se tornaram amigos servem de reflexão para a importância do encontro pessoal. A internet é óptima, mas conversar sem teclar é muito melhor e partilhar emoções sem a ajuda de “emojis” continua a ser a melhor forma. Com a participação de Andrés Colmenares (Internet Age Media), Antonia Folguèra (Sónar +d), Chris Unwin (The Creator Class) e Jeff Hamada (Booooooom);
  • A New Flag for Europe: Baseado no depoimento de três participantes do encontro What Else Europe, realizado em Antuérpia em 2017, nas suas ideias sobre a Europa e as suas experiências criativas sobre viver e trabalhar na Europa e o seu envolvimento no What Else Europe.

19h30 / Sala Manoel de Oliveira – Concerto da Orquesta Metropolitana de Lisboa

Na relação entre o Aljube (Lisboa) e a prisão de Montluc (Lyon), tristemente célebre por ser um local de encarceramento e tortura da Gestapo, o Quarteto de Cordas da Orquestra Metropolitana de Lisboa apresenta um programa constituído por duas obras de compositores cujas vozes foram “abafadas” pelos respetivos regimes – o salazarista em Portugal e o nazi na Alemanha. Este concerto repete-se em Junho na prisão de Montluc.

21h30 / Sala Manoel de Oliveira – Filme The Death of Stalin, de Armando Iannucci

Será a antestreia em Portugal do filme de Armando Iannucci. O realizador relata de forma burlesca os conflictos entre o círculo próximo de Estaline após a sua morte, em Maio de 1953.

Programação de 20 de Abril

17h00 / Sala 2 – Debate: que diversidade religiosa existe em Portugal?

Jovens de diferentes religiões vão partilhar as suas experiências sobre o convívio inter-religioso, preconceitos e desconhecimento sobre os seus cultos num país que é considerado “extremamente tolerante” em matéria religiosa, e apresentar soluções para uma melhor integração quotidiana das suas práticas confessionais. A moderação estará a cargo da humorista Cátia Domingues.

17h30 / Sala 3 – Filme Minas do Futebol, de Yugo Hattori

Em 2016, por não existir campeonatos da categoria sub-13 feminino em São Paulo, a equipa do A.D. Centro Olímpico propôs-se participar num campeonato masculino, a Copa Moleque Travesso. E contra a expectativa da maior parte das equipas, o grupo valorizou-se e passou da fase de grupos às semi-finais, até chegar à final. Mas ser campeãs é apenas o começo da história.

18h00 / Sala 2 – Conversa: humor como forma de combater o racismo

As redes sociais e as caixas de comentários estão a revelar-se um palco de fomento da intolerância e discurso de ódio. Cátia Domingues, a partir do seu trabalho como humorista, vai explicar como é possível desmontar o preconceito recorrendo ao riso.

18h30 / Foyer – Cara-a-cara com deputados

Encontro entre os cidadãos e deputados representantes de todas as bancadas parlamentares. Durante 5 minutos, os participantes inscritos conversam com cada um dos sete deputados sobre o tema do festival. Inscrição para festivalpolitica@gmail.com, limitada a 10 pessoas por deputado.

19h00 / Sala 3 – filme Class Divided, de Marc Levin

O documentário Class Divided, de Marc Levin, é um retrato atual sobre o aumento da divisão entre “ter” e “não ter”. Jovens dos dois lados da barreira partilham os seus pensamentos e percepções sobre as desigualdades de forma honesta e única.

21h30 / Sala Manoel de Oliveira – Concerto Fado Bicha

O Fado Bicha é apresentado por Lila Fadista na voz e João Caçador na guitarra. Um projecto que resulta da subversão e da experimentação. O concerto terá a duração de 30 minutos.

22h00/ Sala Manoel de Oliveira – Noite LGBT

Serão exibidos três filmes, com a duração aproximada de 71 minutos no total:

  • Camel Toe, de Marta Carvalho (com a presença da realizadora na sessão): Bruno, um jovem de 26 anos inicia-se na cultura drag do Porto em 2015, tendo sido inicialmente rejeitado em vários clubes por ser “demasiado gay”. Actualmente é amplamente reconhecido como Camel Toe e a sua personalidade excêntrica dá-lhe voz para defender as várias expressões artísticas e a luta contra o preconceito;
  • Afronte, de Roxo Beringela: ficção e documentário juntam-se para apresentar o processo de transformação e “empowerment” de Victor Hugo, um jovem negro gay que vive nos subúrbios de Brasília, capital do Brasil. A sua história junta entrevistas com outros jovens que apresentam outras formas de resiliência e discursos valorizando os jovens negros gays;
  • Lorna Washington: Surviving Probable Losses, de Leonardo Menezes: ícone do transformismo na cena gay carioca, Lorna Washington é conhecida pela sua versatilidade, elegância e pelas opiniões polémicas. Fez história em boates que marcaram os anos 1980 e 1990 como o Papagaio, o Incontrus e, nos áureos tempos, a Le Boy e a 1140. A militância na luta contra o preconceito e na consciencialização sobre o HIV também a levaram à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para receber uma homenagem.

Programação de 21 de Abril

15h00 / Sala Manoel de Oliveira – Workshop: projecto Mala Mágica do Chapitô

O projecto Mala Mágica foi concebido no contexto do trabalho artístico desenvolvido pela Equipa de Animação do Chapitô junto de jovens que cumprem medidas tutelares educativas, promovendo, através das artes, a sua inclusão social. Neste workshop, os jovens serão os animadores e apresentarão o fantástico mundo da Capoeira a todos os que quiserem participar.

15h30 / Sala 3 – Filme Pela Mão de Alice, de Raquel Freire

O documentário Pela Mão de Alice segue as andanças académicas e socio-políticas de Boaventura Sousa Santos no decurso do projecto de investigação “ALICE: Espelhos Estranhos, Lições Imprevistas”. A ideia de que a imaginação política europeia precisa de se reinventar a partir das experiências sociais e políticas do mundo surge ali pautada por múltiplos encontros, viagens e lugares de partida que nos dão acesso às visitações que movem Boaventura ao encontro das Epistemologias do Sul. Contará com a presença da realizadora na sessão.

16h00 / Floyer – Projecto Mala Mágica do Chapitô

Performance de capoeira pela Equipa de Animação do Chapitô.

16h30 / Sala 2 – Workshop: como a tecnologia pode ajudar a combater a violência e a reforçar a democracia

Neste workshop da autoria de Ana Neves, podes descobrir ferramentas digitais que, um pouco por todo o mundo, são usadas em prol da defesa dos Direitos Humanos e da participação dos cidadãos na vida democrática.

17h30 / Sala 2 – Debate: que integração para a comunidade cigana?

É uma das comunidades mais ostracizadas em Portugal e em que o preconceito continua a dar cartas. O que falha? É possível mudar de paradigma? Como é que a própria comunidade vê a questão? Vamos também refletir sobre as problemáticas inerentes à condição feminina nas comunidades ciganas e sobre o papel da mulher cigana enquanto veículo de mudança. Um debate organizado pelo projecto É Apenas Fumaça.

18h30 / Sala 3 – Sessão de cinema sobre racismo e imigração

Serão exibidos seis filmes, com a duração aproximada de 63 minutos no total:

  • 4242, de Sara Eustáquio: inspirado numa história verídica, este filme é uma interpretação cinematográfica de um poema escrito por uma adolescente que deixa a sua pátria, família e amigos para viver noutro país algures na Europa;
  • Refugee Poetry, de Dave Lojek: Zeravan Khalil, poeta e actor curdo iraquiano, viaja por um desfiladeiro Alpino depois de fugir da guerra e do genocídio. Ao recordar-se do abominável, escreve o poema intitulado “You Drive Me Mad” em curmânji;
  • AnorMal, de Luis Galán: o que nos preocupa hoje? O que nos preocuparia se fossemos uma criança sem sapatos nas ruas de Saint Louis? AnorMal é uma amostra de viagem à pobreza, através das luzes e dos sons, que nos permite sentir um pouco de uma realidade tão diferente da nossa;
  • Remember Everything, To Not Forget Anyone, de Enrico Chiarugi: um homem percorre Lampedusa, uma ilha italiana no meio do Mediterrâneo. Recita os nomes das vítimas de 3 de Outubro de 2013, quando mais de 500 emigrantes morreram tentando chegar à Europa;
  • Misafir A Guest, de Mariam El Marakeshy: este documentário foca-se na história de três adolescentes refugiados de países em guerra (Palestina, Síria e Afeganistão) que fugiram à procura de uma vida melhor em Istambul. O filme destaca os seus passados, como se adaptaram à vida naquela cidade multicultural e como a mesma os acolheu como “convidados” e não como “refugiados”;
  • We Are All Rejected, de Anoush Masoudi: num escritório, um homem analisa pedidos de acolhimento de emigrantes. Presença do realizador na sessão.

19h00 / Sala 2 – Conferência “A Cidade Invisível”, por António Brito Guterres

Lisboa para além dos lugares comuns e da cidade que está na moda. Que (outra) cidade (periférica) é esta que esconde outras realidades e que foi construída, ao longo dos tempos, por vagas de migrações? De que forma as política públicas (não) têm contribuído para combater a segregação social? Uma apresentação para conhecer a Lisboa desconhecida que fervilha humana e culturalmente.

21h30 / Sala Manoel de Oliveira – Performance musical

“Ouvir Com Outros Olhos” é uma performance vídeo-musical da autoria de Nuno Menezes e Gabriela Almeida (Whale’s Mouth) e imagens do Alto Comissariado das Nações Unidas Para Os Refugiados (UNHCR).

22h00 / Sala Manoel de Oliveira – Filme Tell Them We Are Rising, de Stanley Nelson

A história dos colégios e universidades negras na América começou antes do final da escravatura e desenvolveu-se no século XX, influenciando profundamente o curso da nação por mais de 150 anos. Uma história que, apesar de rica, se mantém ainda desconhecida de muitos.

Programação de 22 de Abril

15h30 / Sala 3 – Filme Another Lisbon Story, de Cláudio Carbone

No Bairro da Torre em Lisboa, os moradores são parte ativa das decisões do lugar onde vivem e uma equipa de investigação segue o processo da sua inclusão na sociedade. Another Lisbon Story, de Cláudio Carbone, é um retrato dessa realidade e esta sessão contará com a presença do realizador.

16h00 / Sala 2 – Workshop: as cores da cidade cinzenta

“Era uma vez uma cidade pintada de cinzento (…) tudo existia pintado da cor cinzenta…. Um dia, porém, chegou à cidade cor de cinza uma família muito diferente de todas as que ali viviam.” A partir desta história vamos reflectir, questionar e… sonhar: Somos todos iguais? O que é isso de ser “diferente”? O que é, afinal, a diversidade? As cidades são espaços de encontro de várias culturas: isso é bom ou é mau? O que é que a inter-culturalidade tem a ver com a cidadania e com os Direitos Humanos? Este workshop é limitado a 10 famílias (adultos e crianças dos 4-8 anos) e é promovido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas Para Os Refugiados (UNHCR).

17h00 / Sala 3 – Filme Post-Truth Times: We The Media, de Héctor Carré

Os media têm sido alvo de ceticismo e de ira por parte de políticos agressivos e de uma população que parece alienada. Como pode a verdade sobreviver numa sociedade que não valoriza a veracidade dos factos?

17h30 / Sala 2 – Performance: “Psss….”, por Zacarias Gomes

Hoje ambicionamos ser diferentes, ser originais, mas continuamos divididos pela cor da nossa pele, pelo nosso género, pela nossa orientação sexual, pela nossa religião, pelo nosso estilo
e pelos nossos segredos. Nesta performance artística, é abordado o caos, é confrontado o caos, são contados os nossos segredos, é escrutinado o nosso ADN e, no fim, somos apenas dois esqueletos.

18h30 / Sala Manoel de Oliveira – Filme City Of Ghost, de Matthew Heineman

Este documentário segue os esforços de Raqqa Is Being Slaughtered Silently, um movimento de activistas anónimos que se juntaram depois de a Síria ter sido tomada pelo ISIS em 2014. Marcará o encerramento do Festival Política.