Reciclava PCs para evitar desperdício electrónico, agora pode ser preso

Eric Lundgren está a ser acusado pela Microsoft e pela Dell de perdas de 420 mil dólares em vendas.

Foto de David Sprague via Washington Post

Eric Lundgren. Há uns anos começou, em Los Angeles, nos Estados Unidos, uma empresa com o propósito de reaproveitar material electrónico, evitando que o destino do mesmo fosse o lixo e dando-lhe uma nova vida em equipamentos funcionais. O negócio de Eric Lundgren é aproveitado por tecnológicas como a IBM, a Motorola ou a Lenovo, mas aparentemente não agrada a outras – nomeadamente à Microsoft.

A tecnológica de Redmond acusou o empreendedor de 33 anos de ter fabricado 28 mil discos contra-feitos com o sistema operativo Windows, uma violação de direitos de autor que resultou numa sentença de 15 meses de prisão e uma multa de 50 mil dólares.

Eric Lundgren começou a sua empresa – IT Asset Partners – aos 19 anos e, desde então, tem-se dedicado a recuperar e a vender computadores fornecidos por empresas como a Dell, a Asus e a Lenovo. Conseguiu o seu primeiro grande cliente – a American Airlines – aos 20. Eric tem hoje um volume de negócio de 40 mil computadores por ano, segundo conta o Washington Post.

Os PCs que lhes chegam às mãos para receber uma nova vida têm uma versão autêntica do Windows, pelo que tudo o que Eric tem de fazer é reparar a máquina, re-instalar o sistema operativo (a partir de um disco de recuperação) e associá-lo à licença original. Ou seja, um processo legal. Os computadores que recebe já sem licença do Windows são desmontados e as suas peças usadas em outras máquinas.

A Microsoft não vende discos, vende licenças

O caso complicou-se quando Eric decidiu gravar 28 mil discos de recuperação do Windows na China e enviá-los para o seu parceiro de vendas na Florida, Estados Unidos, para que o sistema operativo pudesse ser reinstalado nos PCs acabados de recuperar.

Os discos foram intercetados pelas autoridades norte-americanas em 2013 e tinham os logos da Microsoft e da Dell, tornando-os praticamente idênticos aos discos originais fornecidos pela Dell para os seus computadores. “Se tivesse escrito ‘Eric’s Restore Disc’ neles, não teria havido problema”, referiu o empreendedor ao Washington Post.

A Microsoft e a Dell acusam agora Eric de uma perda de 420 mil dólares em vendas – valor estimado com base num custa de 20 dólares por disco e numa margem de 75% em cada venda. Eric não nega o que fez, mas, apesar de também não esconder a sua intenção de vender os discos de recuperação a outras empresas que também recuperam PCs, defende-se que agiu numa lógica não lucrativa, querendo apenas tornar mais fácil o processo de reinstalação do sistema operativo em computadores reutilizados. Diz que a Microsoft apenas vende licenças e não discos, e que, só se estes tiverem uma versão licenciada do Windows, é que têm algum valor.

“Qualquer pessoa que consiga estender o ciclo de vida de computadores ou evitar que estes vão parar ao lixo para serem reutilizados na sociedade está essencialmente a meter-se entre a Microsoft e os seus lucros”, disse Eric num comunicado emitido. O dono da IT Asset Partners – que além de recuperar computadores, também se dedica a dar nova vida a baterias, motores e circuitos em veículos e outros tipos de máquinas electrónicas – já está a recorrer da decisão judicial.