Foals e Crystal Castles: 10 anos de duas estreias mais ou menos punk

Os dois protagonistas deste texto partilham a semana de edição e um punk-qualquer-coisa associados a sons dançáveis.

Ao contrário de boa parte dos anos, 2008 é um ano de estreias. São as bandeiras dos debutantes que prevalecem num ano de Vampire Weekend, MGMT, Lykke Li, Cut Copy, Santogold e Fleet Foxes. E Foals e Crystal Castles. Estes últimos dois modelos, protagonistas deste texto, partilham a semana de edição e um punk-qualquer-coisa associados a sons dançáveis, tendência mais vivísivel nos canadianos mas também detectável nos britânicos.

Vivemos o pós-Mirrored dos Battles e os Foals são um exemplo da banalidade que se tornou usar o termo Math Rock. Antidotes, se tanto, poderia ter sido gravado pelos Battles caso estes tentassem escrever canções pop.  Na verdade, o disco mais diferente do quarteto de Oxford parece mais uma mistura de uma data de coisas da década: Franz Ferdinand, Vampire Weekend, Rapture e os já mencionados Battles. Mas, no final do dia, são só canções mais aventureiras que o padrão britânico para rock-alternativo-indie. No fundo, está tudo somado nas referências apontadas pela própria banda: entre outros, Gwen Stefani e Steve Reich — Dá algo como Indie-pop-avant-garde.

Os Crystal Castles ganham em estranheza e ninguém lhes associou o termo rock matemático, muito menos avant-garde, embora este último não seja totalmente descabido, tal é a forma como Ethan Kath e Alice Glass exploram o ruído de forma pouco convencional. Com Ataris 8 Bit — imagine-se — e samples de rap, punk, noise e electrónica. Na altura, disse-se que soava a bugs de computadores misturados com os tais sons de consola. Mas não é bem isso. Soa mais a um puto que quer jogar os jogos de última geração, mas não tem placa gráfica para os suportar, levando a máquina a reproduzir sons arrastados, resultado da lentidão provocada pela insuficiência do material.  A mistura de sons resulta num trabalho não muito diferente do corta e cola de um disco de um produtor hip hop.

No meio da hegemonia francesa (Ed Banger), a música de dança da temporada 2007/2008 mostra resquícios da tão badalada, mas entretanto muribunda new-rave, revela os primeiros e ótimos passos da Italians Do It Better e prolonga o efeito DFA que, depois dos LCD Soundsystem, estreia os Hercules & Love Affair. Os Crystal Castles souberam afastar-se disto tudo, aproximar-se a uma estética mais próxima do grime: ou, pelo menos, as premissas são as mesmas — fecharam-se com a consola de videojogos e criaram a partir daí.