Barry: uma comédia negra que também é um drama risonho

Uma série que nos promete entreter e, se calhar, nos pode fazer repensar as nossas próprias vidas e propósitos.

Barry série
Foto via HBO

Um assassino deprimido. É assim que Bill Hader se apresenta ao público como Barry, na nova série da HBO com o mesmo nome, que chega a Portugal através do canal TVSéries. Barry estreou na semana passada e será exibido um novo episódio todas as quintas-feiras às 22h30.

Criada pelo próprio Bill Hader (que, se calhar, reconhecerás de Saturday Night Live) com a ajuda de Alec Berg (produtor executivo de Silicon Valley), Barry é categorizada como uma comédia, apesar de pisar a linha ténue que existe entre esse género televisivo e o drama. Na verdade, Barry tem um quê de humor negro e de tragédia, e é isso que, em parte, a torna especial. Isso e a personagem de Bill Hader.

Barry surge-nos no primeiro episódio com uma expressão neutra e apática – a ausência expressão facial remete-nos para o ambiente depressivo em que se encontra. Barry virou assassino profissional depois de ter regressado aos Estados Unidos do Iraque e sentir que perdera o seu propósito – não soube reentrar na sociedade e isso deprimiu-o. É então que um amigo da família o convence a embrenhar por uma vida em que “pagam bem”, dando-lhe um propósito que, apesar de não ser o melhor, o conforma. “É um trabalho”, diz Barry a certa altura no episódio-piloto.

Fuches (Stephen Root) torna-se mais que a pessoa que arranja os próximos alvos e trata da logística e do dinheiro, mas um amigo que só Barry parece ver como amigo. Desabafa com ele e pede-lhe conselhos, mas a Fuches interessa-lhe primeiro o negócio“Não quero ficar sem vida”, avisa a Barry quando este lhe fala que quer ser actor.

É que, num trabalho que lhe encomendaram em Los Angeles, cruza-se com uma turma de representação com o guru do teatro Gene Cousineau (Henry Winkler) e uma miúda em particular, Sally (Sarah Goldberg), fazendo-o aperceber-se da nova depressão em que entrou e ponderar mudar de vida — encontrar um novo propósito que lhe enche as medidas, que lhe dê emoção. “Sou um actor”, afirma Barry, com um início de sorriso no final primeiro episódio.

Barry é uma série que nos promete entreter e, se calhar, nos pode fazer repensar as nossas próprias vidas e propósitos. Uma série que também, sem nos fazer referência a qualquer situação política ou social actual, pode ter uma mensagem sobre a imprevisibilidade da vida e nossas respostas emocionais à tragédia. E o humor é muitas vezes utilizado para lidar com a tristeza.

O primeiro episódio estreou dia 25 de Março, na noite de domingo para segunda-feira, na norte-americana HBO e simultaneamente no canal TVSéries, em Portugal. Um novo episódio (serão 8 no total) irá para o ar todas as quintas-feiras às 22h30.

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