As ilustrações de Anton Gudim que nos inquietam sempre com aquele tom irónico

Apresentamos-te um artista sobre o qual pouco se sabe mas cujo trabalho é fenomenal.

Num mundo com tanta tecnologia de ponta e a pseudo-perfeição a desfilar-se permanentemente nos nossos feeds social, a ilustração encontrou na ironia e no sarcasmo um terreno fértil para crescer. Pensemos nos casos de Joan Cornelá, de Brecht Vandenbroucke, ou até da portuguesa Mariana, a Miserável, e torna-se mais ou menos evidente como a linguagem auto-depreciativa, por um lado, e quase misantrópica; por outro, dão cor a novos estilos de ilustração, sobretudo novos estilos de narrativa.

O ilustrador de que hoje falamos é mais um desses exemplos. Sobre Anton Gudim não há muita informação mas certo é que as suas ilustrações nos têm feito pensar na realidade, inquetando-nos sempre com aquele tom irónico que faz lembrar as extremidades dos lábios num sorriso contra-a-própria-vontade.

É uma mistura de crítica à contemporaneidade com a feliz e passiva aceitação da mesma. Com as sucessivas ilustrações, na sua maioria em formato de banda desenhada, Anton Gudim, criou um mundo limites estanques, nem regras, ou melhor, onde as que conhecemos por convívio social acabam retratadas em tom jocoso.

Por ser russo – por isso, fora do espectro da internet ocidental –, a obra de Gudim não chega até nós com muita informação anexa. Podemos acompanhá-lo no Instagram ou comprar material com as suas ilustrações no InkTale, mas não é fácil para já descobrir mais pormenores sobre a sua vida ou carreira.  Na verdade, também não interessam muito, uma vez que a força e consistência do seu trabalho é o melhor cartão de visita que o russo podia pedir. Lembra em termos de traço e de estilo Joan Cornelá, mas leva na mensagem a sua obra para campos mais diversos. Não descura negro mas acrescenta à sua paleta de humor mais uma série de tons.