Mas que raio é a Vero, a rede social do momento

À primeira vista, parece ser bastante semelhante ao Instagram. Mas não tem anúncios e o feed é cronológico.

Quantos amigos tiveste a partilhar o seu perfil na Vero nos últimos dias? Nós tivemos muitos, tantos que tivemos que ir descobrir o que era afinal esta nova rede social que promete roubar utilizadores ao Instagram e ao Facebook. O hype pode ser recente, mas a app é antiga. A Vero foi lançada em 2015 para “revolucionar as redes sociais”. Os seus criadores não sabem bem explicar porquê mas só recentemente a aplicação começou a ganhar atenção massiva do público – a alta procura chegou até a causar problemas técnicos nos servidores da empresa.

Talvez tenha a ver com aquela que é uma das suas maiores promessas: o facto de ser livre de anúncios, ao contrário do Facebook, Twitter ou Instagram. A aplicação é do multimilionário Ayman Hariri, filho do antigo Primeiro-Ministro libanês Rafik Hariri, que, de acordo com a Forbes, tem uma fortuna estimada de 1,33 mil milhões de dólares. Ayman terá começado a Vero por se sentir frustado com as políticas de privacidade das redes sociais cujo modelo de negócio gira em torno de publicidade, um mercado de 30 mil milhões anuais.

Ora não só essa frustração com os anúncios, mas também a dos feeds controlados por algoritmos estarão a levantar a popularidade da Vero. Isto numa altura em que o Instagram tem sofrido alterações profundas nesses dois campos – não só existe mais publicidade na aplicação, como as publicações deixaram de aparecer por ordem cronológica. É certo que essas funcionalidades foram introduzidas há uns tempos, mas a insatisfação poderá ter-se acumulado ao longo do tempo, no meio de alguma aceitação passiva.

A Vero apresenta-se como a rede “verdadeiramente social”, que quer colmatar a “falsa sensação de conexão” de outras plataformas. O objectivo é oferecer ao utilizador aquilo que era o objectivo primordial das redes sociais, ou seja, todo o conteúdo que os seus utilizadores queiram partilhar com os seus contactos, sem a interferência de algoritmos ou a interrupção dos feeds com anúncios.

Apesar de, à primeira vista, ser bastante semelhante ao Instagram, a Vero permite publicar muito mais que fotos – também texto, URLs e recomendações de livros, programas de TV/filmes, locais e música. As publicações aparecem num feed cronológico e é também possível navegar entre a tipologia de conteúdo (por exemplo, podes ver todas as fotografias publicadas pelas pessoas na tua rede) ou por hashtags populares. A aplicação permite organizar os contactos pelo tipo de relação, isto é, entre os amigos chegados, os amigos, os conhecidos e os seguidores.

A Vero diz recolher o mínimo de dados dos seus utilizadores – apenas os nomes, endereços de e-mail e números de telefone –, não vendendo essa informação a anunciantes ou terceiros. Assim, como é que faz dinheiro? Para já, não faz, mas a ideia – que, aliás, passa no site oficial desta rede social – é implementar um modelo de subscrição. “A Vero é gratuita para os primeiros milhões de utilizadores, lê-se na homepage. O valor da subscrição não é conhecido, mas a CNBC avança que será uma pequena quantia anual.

A Vero não tem versão web, estando disponível apenas em telemóveis, através de uma app para iOS e Android. Em nenhuma das lojas, a aplicação terá tido atenção dos utilizadores quando foi lançada em 2015, mas na semana passada chegou a número um na App Store.

Será que a Vero vai descolar ou será este apenas um hype passageiro, à semelhança daquele que vimos com o Ello ou o Peach?