Quando um grande anunciante fala, será que o Facebook e YouTube ouvem?

A Unilever, um dos maiores anunciantes do mundo, diz estar interessada em investir apenas em "plataformas responsáveis, que estão empenhadas na criação de um impacto positivo na sociedade".

unilever facebook

A Unilever é uma grande multi-nacional, que divide a sua sede entre Roterdão e Londres. É dona de marcas que tão bem conheces: Becel, Dove, Hellmann’s, Knorr, Lipton, Ben & Jerry’s, Calvé, Olá, Planta, Skip, Linic, Vaqueiro… entre tantas outras. Por isso, quando a Unilever fala, o Facebook deveria ouvir – não fosse este grupo empresarial um grande anunciante.

Já estamos certamente familiarizados com o modelo de negócio do Facebook: venda de publicidade segmentada. E estamos também familiarizados com os problemas sociais que o Facebook agravou no último ano, como é o caso das notícias falsas. A rede social começou 2018 com um compromisso de melhorar a qualidade do News Feed, privilegiando as chamadas “interacções com significado”. Mas será que a palavra da tecnológica basta?

A Unilever ameaçou esta semana deixar de anunciar em plataformas como o Facebook ou o YouTube se estas não promoverem boas práticas. “A Unilever não investirá em plataformas ou ambientes que não protejam os nossos filhos ou que criem divisão na sociedade e promovam a raiva ou o ódio”, disse Keith Weed, director de marketing global da Unilever, durante uma conferência na Califórnia, EUA. “Vamos dar prioridade apenas a plataformas responsáveis, que estão empenhadas na criação de um impacto positivo na sociedade.”

O responsável máximo pelo marketing da multi-nacional acrescentou ainda que, enquanto Unilever, “não podemos continuar a apoiar uma cadeia de fornecedores digitais que distribui mais de um quarto da nossa publicidade dirigida aos consumidores e que, normalmente, é tão transparente quanto um pântano”.

A mensagem da Unilever não é direccionada apenas ao Facebook, mas também ao YouTube. A plataforma tem também estado debaixo de fogo com polémicas como a de Logan Paul. O problema está no aparecimento de anúncios ao lado de vídeos extremistas, racistas e de ódio, o que obrigou algumas marcas a suspender a publicidade nesta plataforma. A Unilever é um dos maiores anunciantes do mundo, como dá para subentender pelo rico portefólio de marcas de que dispõe. Só no ano passado gastou 9 mil milhões de dólares em publicidade.