Subsolo: quando 5 jovens talentos realizam uma série à séria

Os cinco episódios têm entre 12 a 14 minutos cada e podem ser vistos de seguida, num total de cerca de uma hora, ou quando se tem apenas 15 minutos para viajar na internet.

Subsolo
Bastidores de Subsolo, a mais recente aposta da RTP nas webséries (DR)

Um dia. Cinco jovens realizadores. Cinco jovens actores. Cinco perspectivas de um quotidiano, em Lisboa, vivido por cinco personagens. Uma série sobre a geração dos próprios realizadores, que cresceu rodeada de avanços tecnológicos, com expectativas financeiras incertas num mundo sem precedentes de prosperidade económica. Uma série que nos explica que quando o inevitável choque com a realidade acontece, o caminho mais fácil parece ser adiá-lo por mais um dia.

Cada episódio é centrado numa personagem: Rúben (Tomás Cabeleira), João (Francisco Belard), Nazim (Jadeja Pradeepsinh), Margarida (Francisca Salvado) e Júlia (Diana Narciso). Os protagonistas vão sendo envolvidos pelo ambiente dos próprios espaços que frequentam e pela excitação na construção da sua imagem numa perspetiva futura. Alguns deles cruzam olhares e caminhos, envolvendo-se, outros nunca se chegam, sequer, a conhecer. Todos de idades e contextos diferentes, procuram encaixar-se nas normas de uma estrutura social já existente — sentem uma vontade insaciável de fazerem parte de alguma coisa, mas também porque têm medo de acabarem sozinhos.

Rúben (Tomás Cabeleira)
João (Francisco Belard)
Nazim (Jadeja Pradeepsinh)
Margarida (Francisca Salvado)
Júlia (Diana Narciso)

Subsolo é a mais recente aposta da RTP no plano das webséries, depois de #CasaDoCais, e que, tal como esta, está disponível na íntegra e em alta definição no canal de YouTube da estação pública, bem como na plataforma de streaming RTP Play (podes vê-la também neste artigo, mais em baixo). Subsolo é da autoria da Videolotion, a mesma produtora do filme Verão Danado (2017) e que foi fundada por um grupo de amigos que queria fazer filmes.

Com Subsolo, os autores querem “incitar a um diálogo sobre uma geração nascida depois de 1990, que cresceu a ouvir que era especial e que lhe esperavam possibilidades infinitas de sucesso, uma garantia de estabilidade e de triunfos profissionais e pessoais, alimentando-se uma identidade de protagonista”, como referem em nota de imprensa. Que geração é essa? É a dos jovens “quase-adultos, mas ainda adolescentes, que, passados 20 anos de se terem achado os melhores, afinal descobrem que são só mais um, num mundo rápido e violento em que apenas numa atmosfera alternativa se consideram capazes de se distinguir. Por isso, procuram a auto-afirmação nas redes sociais, colocando fotos de uma realidade melhorada dos seus dias e vivências. São jovens que, vivendo com uma visão distorcida sobre si mesmos, geram uma grande fonte de frustrações e assim estão sempre à procura de algo mais orgânico, mais verdadeiro”.

Tomás Cabeleira nas gravações de um dos episódios
Nos bastidores

“Subsolo fala sobre essa procura. Uma série que corre riscos e que tem uma preocupação estética clara, ao aproximar-se de uma linguagem fundada no cinema. A proposta é, também, trabalhar com uma nova geração de actores, menos conhecidos no panorama nacional, ajudando assim na construção deste universo alternativo de Lisboa, que estará latente nos próprios meios e equipa de produção”, acrescentam.

Cada episódio é da responsabilidade de um realizador, sendo quatro dos cinco realizadores da Videolotion. Tiago Simões assina o episódio “Rúben”, Joana Peralta dirigiu “João”, Victor Ferreira assumiu “Nazim”, Marta Ribeiro fez “Júlia” e Maria Inês Gonçalves, que foi convidada para este projecto e de quem já te falámos aqui, realizou “Margarida”. Os cinco episódios têm entre 12 a 14 minutos cada e podem ser vistos de seguida, num total de cerca de uma hora, ou quando se tem apenas 15 minutos para viajar na internet.