Salvar vidas conduz à sobrepopulação? Bill e Melinda Gates dizem que não

No exercício de reflexão levado a cabo por Bill Gates e pela sua mulher, e que até teve direito a explicação em vídeo, o fundador da Microsoft explica que essa questão está longe de ser verdade.

A pergunta pode parecer ligeiramente idiota ou até ofensiva ao primeiro impacto; contudo, esconde uma dose de reflexão bem maior que não merece ser rebatida pelo primeiro preconceito, merece sim, ser lida sem a linearidade a que estamos habituados – e foi isso que fez o casal Gates.

Esta simples questão que aparenta ter uma pequena rasteira foi uma das 10 de uma série sobre perguntas difíceis, a que Bill e Melinda Gates se sujeitaram a responder no inicio desta semana. No site onde costumam partilhar os seus textos e pensamentos, Gates Notes, o casal de filantropos respondeu questões sobre o destino da sua fortuna e qual a razão por trás de determinadas doações. Foi entre essas perguntas que surgiu esta simples mas intrigante questão, por ter uma resposta que parece óbvia mas moralmente aterradora.

Sobrepopulação: o que é e como pode ser um problema?

O que aconteceria se existissem mais humanos que espaço geográfico para eles e/ou recursos naturais para satisfazer as suas necessidades? A sobrepopulação – conceito que tanto se pode aplicar numa escala local como num nível global – pode resultar de um desnível entre natalidade e mortalidade, de um aumento da imigração e do esgotamento de recursos naturais. Mas será que o salvamento de vidas pode levar a uma situação dessas? Algumas mentes mais precoces vão, talvez, responder rapidamente com um paradoxal “sim”.

No exercício de reflexão levado a cabo por Bill Gates, e que até teve direito a explicação em vídeo, o fundador da Microsoft explica que essa questão está longe de ser verdade, comparando a taxa de crescimento da humanidade com o crescimento da população.

Assim é fácil perceber que a partir de determinadas condições – um ponto médio de vida · a taxa de natalidade começa a descer, deixando de lado o problema dos sobrenascimentos. Algo que também é bastante lógico. Basta pensar que no conceito de saúde estabelecido por Gates cabem todas as questões, incluindo a saúde sexual e a contracepção a que muitos países não tem acesso, fazendo disparar os números de nascimentos.

Como partilhar optimismo?

Com as respostas a este conjunto de questões, Bill e Melinda pretendem partilhar o seu lema para o ano 2018, explicando algumas das questões que mais intrigam sobretudo norte-americanos como: porque não doam mais dinheiro a entidades nos Estados Unidos?

A mensagem central do casal de filantropos é de optimismo e, para divulgar a acção e simultaneamente revelar o seu sentido de humor, Bill e Melinda fizeram uma “mini-versão pop” do questionário em que respondem a perguntas (descabidas) sobre a sua relação e introduzem a rubrica real.

Perceber como um dos casais mais ricos do mundo se mantém optimista não é propriamente difícil, interessante aqui é perceber como esperam poder partilhar todo esse seu optimismo.

Nesta que é a 10ª carta anual, o reformado da Microsoft explica como ajudar os outros lhe dá um estímulo semelhante ao que sentia quando encabeçava uma das maiores empresas do mundo e como isso é vital para si. Para leres todas as perguntas e respostas, visita o seu site.