As máquinas vão ser mais inteligentes que nós. Mas não é para já

Especialistas dizem que esse momento – conhecido como "singularidade" – só deverá acontecer só lá para 2045.

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Foto de ITU/R.Farrell via Flickr

Com a vinda do Web Summit para Portugal, o país parece ter despertado especialmente para uma série de novos conceitos que foram enunciados no megalómano palco do agora Altice Arena. Um dos que se tornou mais mediático, graças à Sophia, foi o de inteligência artificial. É que, embora a cidadã-robot da Arábia Saudita esteja longe de ser um exemplo de ponta da utilização dos sistemas artificiais, deixou muita gente assustada com o potencial de superação dos humanos deste tipo de tecnologia.

A esse momento, em que, algures no futuro os computadores se sobreporão em termos de processamento aos humanos, costuma chamar-se de “singularidade tecnológica” ou simplesmente “singularidade”, e prevê-se que marque a próxima grande mudança de paradigma.

Embora a Sophia, num plano superficial, ou o épico jogo de Go entre a máquina Alpha e Lee Sedol, no plano tecnológico, nos possam levar a crer que esse momento está perto, os especialistas no tema não o preveem num horizonte assim tão próximo. A inteligência artificial será assimilada pela Humanidade gradualmente, é certo, mas isso não representa necessariamente que a sua capacidade de processamento ou o seu potencial criativo cresçam exponencialmente.

A inteligência artificial e a humana diferenciam-se pela noção abstracta que o humano tem das possibilidades, ao contrário da máquina que lhes atribui um valor estatístico. Assim é possível criar um sistema bastante inteligente dentro de um certo campo de probabilidades mas, como mostrou a vitória ao quarto encontro de Lee Sedol, poderá haver falhas em zonas compostas por menos informação.

Apesar de os sistemas de inteligência artificiais mais complexos não se cingirem à análise de dados e procederem a complexos cálculos de probabilidades, a infinidade destas em certas situações pode dificultar a resposta da máquina e comprometer o seu objectivo de suplantar a capacidade humana.

É isso que defendem, de resto, os principais especialistas no assunto. Ray Kurzweil, director de engenharia da Google, apontava a singularidade para o ano de 2045, ainda no ano passado. E agora foi Jurgen Schmidhuber, o co-fundador da Nnaisense e apelidado pela imprensa como “pai da inteligência artificial”, a estabelecer a meta na mesma janela temporal. “Está só a 30 anos de distância, se a tendência não passar, e vai haver aparelhos computacionais baratos que conseguem fazer tantas conexões como o cérebro mas de uma forma mais rápida”, disse numa entrevista recente.

Para o “pai da inteligência artificial”, o potencial trans-humanista deste momento de singularidade será muito mais “que outra revolução industrial”. “É algo que transcende a humanidade e a própria vida”, disse, chegando a comparar o momento ao da criação da própria vida biológica. Sobre a democratização da tecnologia de inteligência artificial, Schmidhuber aponta a data ainda para depois. Nessa entrevista, afirma que daqui a 50 anos “deverão haver muitos desses aparelhos”.