Número de ciberataques duplicou em 2017, mas podem ter sido muitos mais

A Online Trust Alliance fala em 159,7 mil ataques. Mas diz que o número real pode facilmente exceder os 350 mil. Ransomware foi a principal ameaça.

Ransomware ciberataques
Foto de Christiaan Colen via Flickr

A Online Trust Alliance (OTA), uma organização sem fins lucrativos empenhada em promover a internet em benefício das pessoas, disponibilizou um relatório relativo a 2017, no qual indica que os incidentes cibernéticos – de ataques de Ransomware a invasões de e-mail – duplicaram de 82 mil em 2016 para 159,7 mil no ano passado.

O grupo refere que muitos destes ciberataques não são reportados, sugerindo que o número real “possa facilmente exceder os 350 mil”. De acordo com a OTA, as maiores ameaças neste momento são os ataques de Ransomware, como o WannaCry, que “superam em muito” outros ataques. Mas a mesma entidade prevê que a mineração de criptomoedas possa tornar-se um perigo tão grande quanto o Ransomware este ano.

Além da ameaça do Ransomware, a OTA refere que o comprometimento de e-mails profissionais (BEC, na sigla em inglês), os ataques DDoS e as infiltrações através de dispositivos conectados, como electromésticos, foram outros dos problemas que afectaram empresas e outras organizações no ano passado e aos quais estas devem estar atentas.  A OTA diz que os serviços de nuvem e que o hardware ligado pela Internet das Coisas não são suficientemente seguros e acrescenta que 93% dos ataques reportados em 2017 podiam ter sido evitados, caso os utilizadores soubessem como se proteger e apostassem bons sistemas de segurança.

O relatório destaca ainda as preocupações da OTA quanto á forma como as falhas de dados em grande escala, as incertezas sobre como os dados são utilizados, o cibercrime e outras ameaças online têm afetado a confiança dos utilizadores da Internet. No documento, é mencionado o Regulamento Geral sobre a Proteção dos Dados Pessoais (GDPR), que vai entrar em vigor em Maio deste ano na União Europeia e que vai elevar o nível de cuidado que os negócios terão de ter com a privacidade e protecção de dados dos utilizadores.

A OTA salienta a importância de reforçar a segurança dos seus sistemas informáticos, através de planos bem desenhados, de equipas especializadas e da devida formação da força laboral. Em comunicado, Jeff Wilbur, director da iniciativa OTA, destaca que, sem surpresas, 2017 ficou marcado como o “pior ano” no que diz respeito às fugas de dados e aos incidentes cibernéticos em todo o mundo. “As correções regulares de vulnerabilidades de segurança são uma prática recomendada”, adverte.

Foto de Christiaan Colen via Flickr