Morreu um dos melhores amigos de elefantes e rinocerontes, Esmond Bradley-Martin

Esmond Bradley-Martin era visto como uma figura central no mundo da conservação animal e, consequência disso, as homenagens multiplicam-se após a sua morte.

Quénia
Foto via Save The Elephants (DR)

O seu nome pode não te dizer nada mas Esmond Bradley-Martin era um dos investigadores mais activos e envolvidos no tema tabu que é a caça selvagem ilegal e, sobretudo, o tráfico ilegal de marfim e chifres de rinonceronte. O norte-americano de 75 anos foi, esta segunda-feira encontrado na sua casa em Langata, no Quénia, com uma faca espetada na sua garganta, recaindo as suspeitas sob a sua esposa.

Esmond Bradley tinha chegado há poucos dias da sua visita à Birmânia e, segundo conta um repórter da BBC em Nairobi, Alastair Leithead, estaria durante esta semana a terminar o relatório das suas novas descobertas. Ainda segundo a BBC, a polícia local ainda não tem confirmação do móbil do crime, deixando em aberto a hipótese de se poder tratar de um simples assalto.

A morte de Esmond Bradley Martin fragiliza a investigação nesta área sensível e importante que tem ao longo dos anos feito diminuir o número de espécies mortas para comércio internacional. Recorde-se que a captura de elefantes e rinocerontes para tráfico de marfim é um dos principais factores para o declínio do número de espécimes destes animais.

Esmond Bradley Martin era reconhecido internacionalmente pelas suas investigações arrojadas e uma tomada de riscos constante em viagens de trabalho por territórios como a China, o Vietname, Estados Unidos, Congo, Nigéria, Angola ou Hong Kong.

Também o departamento dedicado ao ambiente das Nações Unidas se apressou a endereçar a sua homenagem a Esmond Bradley-Martin, sublinhando os seus trabalhos publicados mais recentemente como o de 2017 sobre o negócio ilegal na Republica Democrática do Laos ou outro em 2016 sobre a ameaça para os elefantes africanos provocada pela procura de marfim no Vietnam.

Esmond Bradley-Martin era visto como uma figura central no mundo da conservação animal e, consequência disso, as homenagens multiplicam-se após a sua morte. O fundador da associação Save The Elephants foi um dos primeiros a publicar no site da organização uma sentida nota de homenagem, agradecendo o importante trabalho daquele que considera um verdadeiro “herói”.