Polos magnéticos da Terra podem inverter-se num futuro próximo, mas não é o fim do mundo

Mas pode trazer uma série de consequências graves para o planeta, mudanças climáticas drásticas, assim como uma maior exposição a radiações nocivas causadoras de doenças como o cancro.

Campo Magnético Terrestre

Um estudo chamado The Magnetic Field Is Shifting é o mais recente trabalho científico sobre o campo magnético da terra a trazer conclusões sobre a teoria popular de que o dia em que a polaridade da Terra se inverter, seria o dia em que o mundo ficaria virado do avesso, literal e figurativamente. Lendas antigas anunciam que será esse fenómeno a trazer o caos para o planeta, numa espécie de dia D que poderia acabar com a humanidade.

O relatório do Laboratory for Atmospheric and Space Physics, na University de Colorado Boulder explica que os pólos magnéticos da Terra podem estar prestes a inverter-se. O fenómeno pode vir a acontecer mais cedo do que se pensava por causa de uma espécie de campo magnético “protector” que é gerado pelo núcleo terrestre. O seu magnetismo afecta tudo o que se passa no planeta e actua contra ventos solares e radiações perigosas. Estende-se durante milhares de quilómetros no espaço, e este novo estudo avança que enfraqueceu cerca de 15% ao longo dos últimos 200 anos.

É esse enfraquecimento do campo magnético terrestre que poderá levar à inversão da polaridade da Terra, o que por sua vez pode significar a entrada de “correntes devastadoras de partículas do sol, raios cósmicosgalácticos, um maior número de raios ultravioleta-B graças a uma camada de ozono danificada pela radiação” na atmosfera terrestre, afirma a jornalista científica Alanna Mitchell, no relatório. 

Apesar da conclusão de que essa reversão dos pólos pode causar danos generalizados, vários especialistas já vieram esclarecer no entanto que tal “não representará um perigo real para os seres humanos”. 

Robert Wicks, professor de Física do espaço e do clima na UCL, refere que, a acontecer, o fenómeno afectará principalmente os sistemas de satélites e que o processo será tão lento, que não será difícil lidarmos com a mudança. “Passaram 780.000 anos desde a última reversão completa dos pólos, e isso pode não acontecer novamente nos próximos milhares de anos. Podemos não ver qualquer alteração na nossa vida. A ideia de que o fim do mundo se está a aproximar não é verdade, e a inversão não representará uma ameaça para a vida humana. É um processo gradual com o qual eu tenho certeza que podemos lidar.”

Wicks acrescentou que as reversões do campo magnético são uma ocorrência comum, em termos geológicos, que ocorrem gradualmente ao longo de muitos milhares de anos. Diz que o nível de danos é incerto, mas que se deverão ficar pelos sistemas de satélites e GPS.

Mas opiniões não são contudo unânimes. Segundo Daniel Bakerdirector do Laboratory for Atmospheric and Space Physics, a inversão polar pode sim interferir com os satélites que controlam as redes eléctricas terrestres mas isso pode levar a apagões generalizados capazes de durar décadas e de tornar parte do  “inabitável” durante a inversão.

“Imagine que a corrente eléctrica da sua zona é cortada durante alguns meses – muito poucas coisas funcionam sem electricidade nos dias de hoje”, explicou também Richard Holme, professor de ciências na Liverpool University ao Mail Online.

Vários investigadores acreditam que este fenómeno poderá trazer mudanças climáticas drásticas, assim como uma maior exposição a radiações nocivas causadoras de doenças como o cancro.

“A radiação poderá ser 3 a 5 vezes superior àquela originária do buraco do ozono criado pelo Homem”, explica Colin Forsyth do Mullard Space Science Laboratory, na University College London. “Além disso, os buracos do ozono serão maiores e mais duradouros”, acrescenta.

O estudo surge depois de a NASA, em 2012, ter vindo a público dizer que este evento no campo magnético terrestre não seria o apocalipse, que é algo normal, que tem de acontecer de milénio em milénio. “Enquanto as condições que podem causar a inversão de polaridade não são totalmente previsíveis o movimento do pólo norte poderia mudar subtilmente a sua direcção, por exemplo não há nada nos milhões de anos de registo geológico que sugira qualquer ligação entre o dia do juízo final a inversão dos polos que deva ser levado a sério.”

O estudo da magnetosfera terrestre ao longo dos anos levou os cientistas a descobrir que esta área em redor do planeta controlada pelo seu campo magnético se mantém em constante movimento.

O polo norte magnético o ponto terrestre em que uma bússola magnética apontaria directamente para baixo, em direcção ao centro da terra – muda frequentemente de localização, assim como se invertem os polos magnéticos da Terra a cada 200 mil ou 300 mil anos. É por isso que, por agora, surgem os estudos que surgirem, a única conclusão plausível é de que “de momento não conseguimos determinar com precisão se o campo magnético da Terra está ou não prestes a virar”, como eslcarece Forsyth.