Quem partilha mais notícias falsas? No Estados Unidos é a direita alternativa

O que no princípio começou como piada de alguns utilizadores das plataformas digitais tornou-se numa arma séria de manipulação propagada e difundida por grupos coordenados e em campanhas orquestradas.

Nos Estados Unidos, os problemas do Facebook e das redes sociais são ainda mais prementes. Por serem o país de origem destas aplicações, embora possam não ser aquele que tem a maior base de utilizadores, nos Estados Unidos os problemas destas redes sociais ganham um maior peso, levando os investigadores a debruçar-se sobre questões que por vezes outrora podiam parecer triviais.

Um desses exemplos são as fake news. O que no princípio começou como piada de alguns utilizadores das plataformas digitais tornou-se numa arma séria de manipulação propagada e difundida por grupos coordenados e em campanhas orquestradas. Foi sobre essa questão que a Oxford Internet Institute se debruçou, a ponto de perceber a proveniência estatística prevalente deste tipo de publicações.

Depois de monitorizar 13,500 contas de Twitter e 48,000 de Facebook nos três meses que antecederam o recente discurso de Estado de União, o instituto determinou que a partilha destes artigos eram profícua sobretudo entre apoiantes da alt-right ou da hard-right norte-americana — os círculos de apoio a Trump ou de Direita ainda mais extremista.

O estudo oferece uma perspectiva interessante sobre o tipo de partilhas e associações que se estabelecem online e a forma como os filtros de bolha funcionam, fazendo com que grupos com as mesmas conexões em rede acabem por navegar no mesmo tipo de conteúdo — neste caso e em foco, as chamadas junk news. Assim, grupos de conversadores ou de negacionistas como o movimento que recentemente se tornou popular em defesa do argumento de que a terra é plana, tornam-se terreno fértil para a geração de visualizações e partilhas para estes conteúdos.

O estudo que resulta em duas representações gráficas dos ambientes de conversação online, acrescenta ainda os principais segmentos em que se estabelecem as comunicações entre os principais grupos, dando uma ideia dos temas a que são mais sensíveis as várias facções. Por exemplo, entre os democratas é comum falar-se de ateísmo e entre os Libertários de anarquismo. Outra das conclusões é que entre a falange de apoio a Trump se partilham tantas notícias de fontes pouco credíveis como em todos os outros grupos de afiliação política. 

O estudo completo pode ser consultado aqui.