Jornalistas e entusiastas explicam as mudanças ao News Feed num Google Doc colaborativo

A melhor estratégia é perceber as mudanças que vão acontecer e adaptar.

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Vários jornalistas e entusiastas estão a colaborar num Google Doc, onde, a partir de informação disponibilizada oficialmente pelo Facebook, procuram explicar as mudanças que se avizinham no que toca ao News Feed e que, desde que foram anunciadas, no início deste ano, têm preocupado alguns órgãos de comunicação social. Um documento carregado de recursos úteis e que tem estado em constante actualização.

O Facebook não é uma empresa conhecida pelas suas práticas de transparência e as alterações aos algoritmos que determinam que posts aparecem no News Feed deixaram muitas dúvidas sobre essas mudanças e como elas vão afectar o jornalismo digital, assente, em boa parte, na rede social. Desde o anúncio, algumas publicações têm incentivado os seus seguidores a activar a opção “See First” para as suas páginas, achando, talvez, que isso sozinho pode resolver o problema. Outras anunciaram que vão deixar de publicar no Facebook.

A melhor estratégia é, provavelmente, perceber as mudanças que vão acontecer e adaptar. É o que explicou o Facebook numa sessão educativa online, exclusiva para jornalistas, à qual Matt Navarra, gestor das redes sociais do site de tecnologia The Next Web, teve acesso. Matt partilhou alguns dos slides na sua conta de Twitter e um dos seus seguidores transformou-os num documento colaborativo no Google Docs.

Entre a informação que podemos retirar do Google Docs, encontra-se este slide que resume a nova estratégia de distribuição de notícias do Facebook para este ano. A rede social vai privilegiar conteúdos de fontes confiáveis, artigos informativos e notícias locais.

O Facebook já anunciou que vai determinar as fontes confiáveis através de um questionário de duas perguntas aos utilizadores. Quanto às notícias locais, o teste está a ser feito em seis cidades norte-americanas, através de uma nova secção na app. Relativamente ao conteúdo informativo, não foi anunciado ainda.

É assim que o Facebook vai testar a credibilidade dos media

Outros dois slides – mais relevantes – falam sobre as “interacções com significado”, a principal alteração que o News Feed vai sofrer. No fundo, o Facebook vai privilegiar os amigos em vez das páginas, seja através do que partilham ou dos comentários que fazem. Assim, explica o Facebook, uma boa estratégia é promover as interações nos posts que as páginas fazem, promovendo discussões e evitando publicações que apenas incentivem ao clique.

Porque é que o Facebook não vai partilhar com os órgãos de comunicação social o ranking de fontes confiáveis? A empresa explicou, numa parte de perguntas e respostas que se seguiu à sessão educativa, que pode ser inútil partilhar apenas um sinal que influencia o ranking dos órgãos no feed, existindo outros. Acrescentando que ainda está a desenvolver esta ferramenta de determinação das fontes confiáveis.

O Facebook esclareceu ainda o que significam estas “interacções com significado”. Gostar, partilhar no perfil ou num grupo, comentar, reagir ou partilhar via Messenger são factores que podem contribuir para que um determinado post alcance mais pessoas no News Feed. Identificar amigos nos comentários não fará isso.

A empresa explica que esta política em torno das “interacções com significado” é válida tanto para páginas como para perfis, e que, à medida que um perfil ganhar mais seguidores que amigos passará a ser tratado mais como uma página. Páginas mais pequenas, com menos amigos/seguidores, serão tratados mais como perfis. De uma forma geral, os perfis terão mais alcance que as páginas, uma tendência que se tem verificado ao longos dos últimos anos. O Facebook recomenda aos jornalistas e outras figuras públicas que activem o botão de Seguir para que outras pessoas possam receber no News Feed os seus conteúdos.

Outra dúvida que tem sido levantada pelos jornalistas e outras pessoas ligadas à comunicação social é se a adopção de Instant Articles sofrerá algum impacto com estas alterações ao News Feed. O Facebook diz que não e que os Instant Articles e os artigos “normais” serão tratados de forma igual, à luz das novas regras de “interacções com significado”.

O Facebook respondeu também a uma dúvida sobre o uso de grupos por órgãos de comunicação social, referindo que pode ser uma boa prática. Algumas publicações, como o Quartz ou a Vox, têm criado comunidades em grupos de Facebook. A rede social permite agora ligar um grupo a uma página e também publicações dessa página no grupo, o que pode criar novas dinâmicas de interacção com os leitores.

O documento no Google Docs é de livre acesso, e continuará a ser actualizado e comentado. O Facebook, por sua vez, tem um grupo oficial para jornalistas e outras pessoas ligadas à comunicação social onde podem ser encontrados mais recursos e informações.