Candidato a Director-Geral para as Migrações diz que muçulmanos são violentos e cristãos prioritários

O candidato nomeado pela administração Trump para concorrer ao cargo de director-geral da Organização Internacional para as Migrações, Ken Isaacs, disse que o Corão é como um manual de instruções de violência.

Via Pixabay/ hawkarena

O candidato norte-americano nomeado, na passada quinta-feira, pela administração Trump para concorrer ao cargo de director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) referiu, através publicações nas redes sociais e entrevistas a estações de rádio, que a religião muçulmana é intrinsecamente violenta. Ken Isaacs, também vice-presidente da organização evangélica de ajuda humanitária Samaritan’s Purse, acrescentou ainda que cidadãos cristãos deviam ter prioridade na busca e acções de realojamento fora de zonas hostis.

As declarações de Isaacs foram vistas com apreensão por Eric Schwartz, presidente da Refugees Internacional. “Eu não conheço o candidato [Ken Isaacs], mas já vi algumas das suas declarações e as mesmas refletem um preconceito perturbador, que não é compatível com uma posição de liderança naquela que é a maior agência de migração internacional do mundo”, disse.

Para além das observações depreciativas sobre a comunidade muçulmana e o Corão, que diz estimular os devotos à violência e à realização de ataques terroristas, Ken Isaacs chegou inclusive a negar a ocorrência de alterações climáticas e a sua relação com conflitos armadas, ligação que classificam como uma “anedota”.

Após um pedido de esclarecimento por parte do jornal The Washington Post, a conta de Twiter de Isaacs mudou o acesso para privada e foi emitido um pedido de desculpas em nome do candidato norte-americano.

Lamento profundamente que meus comentários feitos nas redes sociais tenham causado sofrimento e minado meu registro profissional. Foi descuidado e causou preocupação entre aqueles que acreditam na minha capacidade de liderar de forma eficaz a OIM. Prometo reger-me pelos mais altos padrões de humanidade, dignidade humana e igualdade caso seja o escolhido para liderar a OIM”, lê-se no comunicado.

Apesar das polémicas declarações, o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América veio a público, após o pedido de desculpas de Isaacs, reafirmar o seu apoio à candidatura do vice-presidente da Samaritan’s Purse. Ao The Washington Post, o director de comunicação do Conselho para as Relações Americano-Islâmicas, Ibrahim Hooper, diz que a candidatura de Ken Isaacs traduz “um sintoma da profunda hostilidade da Administração Trump para com os imigrantes, migrantes e muçulmanos”.

A escolha de Trump para o alto cargo da OIM parece estar a perder a hipótese de ser eleita, o que nunca aconteceu a nenhum candidato norte-americano para o mesmo posto desde 1960. Na corrida está também o português António Vitorino, antigo comissário europeu da Justiça e Assuntos Internos entre 1999 e 2004. A eleição decorre em Junho de 2018 e o candidato escolhido deve agregar dois terços dos votos dos estados-membros.

A OIM é formada por 169 estados-membros e gere um orçamento anual de mil milhões de dólares.