Afinal, o que é que a Google vai abrir em Portugal?

O Governo português e a tecnológica norte-americana escalareceram as confusões dos últimos dias.

Google Portugal
Foto de Thomas Hawk via Flickr

Foi anunciado como um centro de fornecedores, um hub tecnológico, mas também como um call center. Nem a Google, nem o Governo português tinham conseguido esclarecer que investimento é que, afinal, a gigante tecnológica tinha previsto para Portugal. Mas a empresa explicou, por fim, o que vai abrir no Lagoas Park, em Oeiras, neste 2018.

Foi em Davos, na Suíça, no âmbito do Fórum Económico Mundial, que António Costa anunciou “um investimento da Google, que arrancará logo com a criação de 500 empregos qualificados”. A notícia rapidamente correu os jornais, sem se saber muitos mais pormenores. As peças foram sendo montadas – os detalhes surgiram, assim como as contradições e as dúvidas.

“Havia vários países a disputar este investimento da Google. A gigante tecnológica norte-americana escolheu Portugal”, acrescentou o Primeiro-Ministro em Davos. A Câmara Municipal de Oeiras avançou pouco depois a localização do pólo da Google, referindo que este vai ficar instalado no parque empresarial Lagoas Park, em Porto Salvo.

535 postos de trabalho na área das TIC

Mais tarde, o Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias deu outros detalhes: o espaço de 7 mil metros quadrados está contratado; os preparativos começam no final deste mês de Fevereiro e a abertura está prevista para Julho; ao todo serão 535 postos de trabalho na área das tecnologias de informação e de comunicação, “desde a gestão de informação às engenharias, num leque alargado de competências”.

Falou-se em centro de operações para centralizar os fornecedores da Google para a Europa, Médio Oriente e África e em hub tecnológico que serve essas regiões, mas também em call center. Quem utilizou este termo foi Mike Butcher, jornalista do TechCrunch, que escreveu no Twitter: “OK, acalmem-se todos. É apenas um call center”, disse depois de ter apurado a informação junto de “fontes portuguesas”, conforme explicou ao jornal económico ECO.

Um call center ou um centro de inovação?

O ECO apurou também junto de uma fonte próxima ao Governo que o centro da Google em Portugal abrangerá “serviços centrais”, funcionando como uma espécie de “backoffice europeu”; vai estar ligado à tecnologia, mas albergará, entre outras coisas, um “departamento financeiro” da multinacional, que poderá “chegar até 2.000 pessoas”.

Já esta semana, a Google confirmou que “o centro de inovação” que “vai abrir para a Europa, Médio Oriente e África em Lisboa não é um call center”. Quem o disse foi Francisco Ruiz Anton, director de Assuntos Institucionais da Google Portugal e Espanha, num evento em Lisboa. “Podem ser serviços financeiros de apoio à Google que se prestem desde aqui, como outros serviços. Falamos de todas [as vagas], depende dos serviços que prestem”, afirmou ainda o responsável.

Porquê Portugal? Pelos custos laborais?

Falando sobre os motivos que levaram a empresa a querer instalar-se em Portugal, o responsável recusou que tenha sido pelos custos laborais. “Havia uma série de países em lista para abrir este escritório e os custos laborais não foram o motivo para vir para cá. Posso assegurar que havia outras opções com custos laborais mais baixos”, referiu Francisco Ruiz Anton, avançando que a empresa escolheu Portugal por ser “um país que está a apostar no setor tecnológico, no empreendedorismo e nas start-ups”. “Se a Google está cá é porque aqui há talento, gente formada”, vincou o responsável dos mercados português e espanhol da tecnológica.

Apesar deste investimento previsto para este ano, a Google já está em Portugal há muito mais tempo. Não só tem cá um escritório de representação e Portugal é um mercado dos seus múltiplos produtos e serviços online, como desenvolve diversas iniciativas. É o caso do Atelier Digital Google, iniciado há um ano, que neste período permitiu que 35 mil portugueses adquirissem competências digitais, tanto em sessões presenciais como online. Ou do projecto GEN10S, que visa formar crianças entre os oito e os 12 anos, que se encontrem em risco de exclusão social, em programação e código.

Portugal é um país importante para esta empresa e isso demonstra-se na quantidade de projectos que estamos a desenvolver aqui”, concluiu Francisco Ruiz Anton.

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