A democracia continua a sua assustadora recessão

Os resultados concluem que menos de 5% da população mundial vive actualmente numa "democracia plena" e que quase um terço vive sob o domínio autoritário.

Em pleno 2018, a democracia continua a actuar num palco de guerra, do qual tem saído derrotada.

A Economist Intelligence Unit, realizou a 10ª edição do Índice de Democracia que valida a teoria proposta por Larry Diamond, cientista político da Universidade de Stanford, na década passada — estamos perante uma “recessão democrática” global.

O índice estabelecido pelo The Economist compreende 60 indicadores em cinco grandes categorias — processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política democrática e liberdades civis.

Os resultados concluem que menos de 5% da população mundial vive actualmente numa “democracia plena” e que quase um terço vive sob o domínio autoritário, valor para que contribuí altamente a China. No total, 89 dos 167 países avaliados em 2017 (ou seja, mais de metade) receberam valores mais baixos do que no ano anterior.

Europa lidera mas com média mais baixa

A Noruega continua a liderar o ranking, posição que ocupa desde 2010, como o país mais democrático. 14 das 19 “democracias completas”, que compõem o topo do Índice, localizam-se na Europa Ocidental, no entanto, a pontuação média da região caiu ligeiramente em 2017, para uma média de 8,38 pontos em 10.

No caso de Espanha, a tentativa do governo espanhol de parar o referendo da independência da Catalunha através da força, no dia 1 de Outubro, fez com que a pontuação do país caísse em 0,22 pontos, deixando os “nostros hermanos” apenas 0,08 pontos acima do limite da “democracia defeituosa”.

Em Malta, o assassinato não resolvido de Daphne Caruana Galizia, um bloguer anti-corrupção, levantou questões sobre os direitos e a vontade das autoridades de investigar crimes sensíveis, levando a uma queda de 0,24 pontos.

França, uma “democracia defeituosa” de acordo com a taxonomia do índice, caiu ainda mais, mesmo após os seus eleitores terem rejeitado firmemente um candidato de extrema-direita na eleição presidencial do ano passado. O valor das liberdades civis do país diminuiu porque a legislatura aprovou uma lei que ampliou os poderes de emergência do governo.

O ex-libris do ranking de 2017 é a República da Gâmbia

O ex-libris do ranking de 2017 é a República da Gâmbia. Após 22 anos de governo de Yahya Jammeh, um ditador que reprimiu as liberdades políticas, os poderes centralizados dentro de seu grupo étnico e usou o exército para incutir o medo, o país abraçou a democracia, pela primeira vez no ano passado. Como resultado, o seu Índice melhorou de 2.91, classificado como um “regime autoritário”, para 4.06, um “regime híbrido” — uma subida vertiginosa de 30 lugares.

Por outro lado, as descidas mais acentuadas ​​ocorreram na Indonésia, que caiu do 48º lugar para o 68º, e a Venezuela, cuja pontuação passou para a categoria de “regime autoritário”. Os Estados Unidos da América ficam em 21º lugar no ranking, ao nível da Itália, continuando a ser vista como uma “democracia defeituosa” pelo segundo ano consecutivo.

Noutros casos de relevo, destaque para o Brasil, um dos países apontados pelo relatório como mais perigosos para a classe jornalística e onde os escândalos de corrupção e a subida ao poder de Michel Temer marcam nova descida. A democracia brasileira tem perdido pontos nos últimos 3 anos.